Ex-prefeitos e prefeituras são alvos de operação no Sertão de Alagoas

Publicado em 19/01/2017, às 11h49

Redação

Uma operação do Ministério Público Estadual e Secretaria de Segurança Pública, deflagrada nesta quinta (19), investiga prefeituras sertanejas suspeitas de desviar recursos públicos por meio de contratos fraudulentos. O esquema seria comandado pelos ex-prefeitos Jorge Dantas e Carlos Luiz Martins Marques, de Pão de Açúcar e Maravilha, respectivamente.

LEIA TAMBÉM

Ao todo, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em secretarias municipais de Finanças, Administração e Cultura, nas Comissões Permanentes de Licitação (CPL) e nos setores de contrato.

As casas dos dois ex-gestores também são alvo das medidas cautelares. Como não houve resistência, nem nos órgãos públicos, nem nas residências de Jorge Dantas e Carlos Luiz Martins Marques, houve prisões.

Veja Vídeos:

De acordo com o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) do MPE, o objetivo é apreender documentos que possam comprovar a prática de peculato por parte dos ex-prefeitos e supostos funcionários que tenham contribuído para o dano ao erário durante os anos de 2013 a 2016.

Peculato é crime previsto no artigo 312 do Código Penal Brasileiro: “Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de quem tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio”. A pena prevista para essa prática delituosa é de reclusão de dois a 12 anos, e multa”.

O TNH1 entrou em contato com o ex-prefeito de Pão de Açúcar, Jorge Dantas, para saber o posicionamento dele acerca do cumprimento dos mandados. Por telefone, o ex-prefeito disse se os documentos tivessem sido solicitados ele teria os entregado sem a necessidade da operação, mas disse que entendia que "esse é o papel do Ministério Público". Jorge Dantas disse ainda que os mandados que tinham a casa dele como alvo da investigação já foram cumpridos.

A repórtagem não conseguiu comntato com o Luiz Martins Marques, ex-prefeito de Maravilha.

Apoio da 17ª Vara e documentos apreendidos

Os 12 mandados de busca e apreensão solicitados pelo Gecoc e pelo procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, foram expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital, que também deu apoio à operação.

No cumprimento das medidas, foram apreendidos documentos relativos a processos de licitação, dispensa de licitação, contratos e processos de pagamento. Tudo isso referente a locação de estruturas de palco, som, iluminação, aparelhos de projeção e geradores de energia.

Também foi recolhida documentação relativa a contratos de aluguel de veículos, uma fraude, segundo os promotores do Gecoc, muito comum em prefeituras do interior de Alagoas.

Todo o material apreendido durante a ação desta quinta-feira servirá para dar continuação as investigações iniciadas pelo Gecoc e pelas promotorias de Pão de Açúcar e Maravilha nos primeiros dias de janeiro de 2017.

O Ministério Público ainda não consegue precisar o valor do prejuízo causado aos cofres públicos, mas estima que as cifras ultrapassam a casa dos milhões de reais. Essa foi a segunda operação do Gecoc este ano que contou com o apoio do novo chefe do MPE/AL, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto.

Além do Gecoc, participaram da operação a Secretaria Estadual de Segurança Pública e PMs do 9º Batalhões, do Pelopes e do Ciopac – Companhia Independente de Operações Policiais em Área de Caatinga.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Prefeitos de Alagoas discutem limite para cachês de artistas em festas municipais Justiça determina suspensão de passeios turísticos irregulares na APA Costa dos Corais Palestra reflete arquitetura das habitações modernas para além da estética Artnor: artesãos transformam tradição familiar em legado cultural