Exame com contraste: entenda procedimento feito por psicóloga que morreu após passar mal

Publicado em 25/12/2022, às 22h45
Foto: Reprodução/Redes Sociais -

G1

O uso do contraste é feito geralmente em exames de ressonância, tomografia e radiografia, sempre com indicação médica, para o radiologista ver e avaliar melhor partes do corpo, como um tumor ou um vaso sanguíneo, por exemplo.

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O médico Murilo Eugênio Oliveira, especialista em radiologia e diagnóstico por imagem, disse que pode haver reações adversas ao uso do contraste, mas que são raras, principalmente as consideradas graves, como o caso da psicóloga Bruna Nunes de Faria, que morreu aos 27 anos após usar a substância para fazer uma ressonância e passar mal, em Goiânia, em 21 de dezembro deste ano.

“Na hora que aplicou o contraste, ela falou assim: ‘Estou passando mal’, e começou a tossir. Eles a tiraram rápido, no colo. Eu fui junto para esse quartinho com ela e falei ‘pelo amor de Deus, o que está acontecendo com a minha filha?’. E já veio uma moça e aplicou uma injeção nela e ela [Bruna] falou: ‘Estou sem ar’. Foi a última palavra que ela falou”, contou Jane Alves, mãe da Bruna.

Segundo Murilo Eugênio, casos como os de Bruna acontecem quando o sistema imunológico tem uma reação exagerada ao medicamento e a reação alérgica evolui de forma dramática no organismo.

O médico ressalta que o uso da substância é seguro e que existem muitos estudos comprovando a eficácia nos diagnóticos por imagem.

O radiologista explicou que existe um contraste diferente indicado para cada um dos exames, porque a substância tem princípios ativos distintos, então um contraste usado na ressonância não serve para a tomografia e para a radiografia.

Atualmente, se usa mais o contraste nos exames tomográficos e a substância não-iônica por apresentar raras reações alérgicas nos pacientes.

"O uso é de acordo com a indicação do médico. Por exemplo, caso ele suspeite de um tumor, ele é usado para ver se a lesão sólida vai captar o contraste. O contraste pode ser usado para identificar falha de enchimentos dos vasos sanguíneos, se tem uma trombose, por exemplo, não vai passar o contraste naquele vaso, a gente indica então que tem uma trombose", explica o radiologista.

A aplicação do contraste na corrente sanguínea é usada na grande maioria de exames de tumores, por ter um resultado melhor na imagem. A substância é usada também em suspeita de infecção e complicação de infecção.

O uso, porém, já é contraindicado em alguns pacientes que tem histórico de alergias. Para pessoas que não tem esse histórico, é aplicado um questionário para saber se existe disposição para reações adversas.

"Se faz um questionário para identificar um fator proibitivo de que o paciente pode ter risco de desenvolver reação alérgica ou anafiláticas, como chamamos", disse o médico.

Existem níveis de reações alérgicas, conforme explicou o radiolgista:

"Durante o exame, pedimos para o paciente nos relatar qualquer reação no momento da injeção do contraste. Em alguns casos, que são raros, a reação é dramática e muito rápida. Mesmo com tratamento, o paciente pode demandar dias de descanso ou uma UTI. O sistema imunológico, nesses casos, tem reação desproporcional", esclarece Murilo.

As reações graves não representam 2% dos casos, segundo o médico.

"Nas unidades em que trabalho, fazemos cerca de 300 exames diários e, nessa demanda, temos casos de reações leves um a cada seis meses. Uma reação grave é uma a cada 6 anos", conta Murilo.

Teste e tratamento - Não existe um teste ou uma forma de saber se o paciente terá reação alérgica leve, moderada ou grave antes de usar o contraste.

“Não há exame que possa ser feito antes. Por isso a necessidade do questionário", reforça o médico.

Em relação aos tratamentos de reações, Murilo explica que a reversão de um quadro grave depende da resposta do organismo do paciente e da saúde dele, mesmo depois de receber medicamentos antialérgicos, por exemplo.

Morte da psicóloga - Bruna Faria tinha 27 anos e teve dois AVCs (Acidente Vascular Cerebral) há 45 dias. Ela fez uma bateria de exames para descobrir a causa. Passou por cinco neurologistas e três cardiologistas. A mãe contou que a ressonância magnética do coração, em que ela passou mal, era o último exame que ela tinha que fazer.

Há suspeita, segundo a mãe, que Bruna teve um choque anafilático durante o procedimento, mas que a causa da morte será identificada por meio de autópsia feito pelo Instituto Médico Legal (IML).

Bruna Faria nasceu em Bonfinópolis, onde foi velada e enterrada na quinta-feira (22). A jovem trabalhava como psicóloga da Prefeitura de Silvânia e fazia parte da Equipe Multiprofissional de Atenção Domiciliar (Emad) da Secretaria Municipal de Saúde.

Bruna fez o exame no Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI) Unidade II, que fica na Avenida Portugal, no Setor Marista. A defesa explicou, por meio de nota, nesta sexta-feira (23), que atualmente há dois grupos distintos operando sob o nome CDI. Um sob responsabilidade dos médicos Luiz Rassi Júnior e Colandy Nunes Dourado e outro sob a gerência dos médicos Ary Monteiro Daher e Adriana Maria Monteiro, sendo que o procedimento que a jovem realizou faz parte dos serviços prestados pela equipe chefiada por Ary e Adriana. Os grupos estão em fase final de separação judicial, que deve ser finalizada em janeiro, quando os prédios também devem ser separados de acordo com a administração (veja a explicação abaixo).

Nota do CDI gerido pelo médico Ary Monteiro

"Aguardaremos o resultado do laudo que vai determinar a causa da fatalidade, mas, desde já, nos solidarizamos com os familiares e amigos da paciente e seguimos à disposição para prestar toda a assistência necessária. Reforçamos que em nossos exames são adotados elevados padrões de segurança, com acreditação em grau máximo e procedimentos certificados pelas autoridades do setor, sempre buscando garantir o bem-estar e a saúde de nossos pacientes, valores que sempre fizeram parte da história da clínica", diz a nota enviada pelo advogado do médico Ary Monteiro.

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