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Expansão imobiliária amplia debate sobre atualização do Plano Diretor de Maceió, afirma especialista

Publicado em 10/07/2026, às 10h23
Principal instrumento de ordenamento urbano volta ao centro das discussões - Foto: Arquivo Secom Maceió/Itawi Albuquerque

Assessoria

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A revisão do Plano Diretor de Maceió, aguardada há mais de uma década, reacende um dos principais debates sobre o futuro da capital, que é conciliar o crescimento imobiliário com infraestrutura, mobilidade, preservação ambiental e qualidade de vida. Prevista pelo Estatuto da Cidade para ocorrer em 2015, a atualização da legislação urbanística chega após um período marcado por profundas mudanças na configuração do município, entre elas o desastre provocado pela exploração de sal-gema, que redesenhou parte do território urbano, e a expansão do mercado imobiliário para novas regiões da cidade.
 
O Plano Diretor é o principal instrumento de planejamento urbano do município e define as regras para o uso e a ocupação do solo. É por meio dele que o poder público estabelece parâmetros para verticalização, expansão urbana, preservação ambiental, mobilidade, habitação e implantação de equipamentos públicos.
 
Nos últimos anos, Maceió vivenciou uma das maiores transformações urbanas de sua história. Além do aquecimento do mercado imobiliário, a desocupação de bairros inteiros em decorrência do afundamento do solo provocou a redistribuição de milhares de moradores, alterando a dinâmica da cidade, ampliando a demanda por novas áreas de expansão e influenciando diretamente o desenvolvimento urbano.
 
Segundo o consultor em investimentos imobiliários Lauro Braga, é importante que a população compreenda que as regras relacionadas à verticalização e ao crescimento urbano não são definidas pelo mercado imobiliário, mas pelo poder público, por meio da legislação urbanística.
Lauro Braga, consultor em investimentos imobiliários. Foto: Divulgação
 
 
"O Plano Diretor é o instrumento que orienta como a cidade deve crescer. Ele busca conciliar desenvolvimento econômico, preservação ambiental, infraestrutura e qualidade de vida. O mercado imobiliário atua dentro das regras estabelecidas pelo poder público, acompanhando as diretrizes definidas para cada região da cidade", explica.
 
Para o especialista, a revisão da legislação ocorre em um momento estratégico para Maceió, justamente porque a cidade passou por mudanças estruturais que exigem um novo olhar sobre seu desenvolvimento.
 
"O instrumento precisa olhar para a cidade que existe hoje, não para a cidade de vinte anos atrás. A redistribuição populacional provocada pelo desastre da Braskem, somada ao crescimento de novas centralidades e à expansão do mercado imobiliário, exige regras atualizadas para garantir desenvolvimento sustentável, mobilidade e qualidade de vida."
 
Lauro ressalta que uma revisão bem estruturada do Plano Diretor permite que o desenvolvimento urbano ocorra de forma organizada, proporcionando maior eficiência no uso da infraestrutura existente e evitando problemas decorrentes da ocupação desordenada.
 
"O crescimento da cidade é inevitável, mas precisa ser planejado. Quando a expansão acontece de maneira organizada, é possível otimizar investimentos públicos, melhorar a mobilidade, preservar áreas ambientais e oferecer mais qualidade de vida para quem vive em Maceió.", disse. 
 
O especialista ressalta também que a discussão sobre verticalização deve ser conduzida com base em critérios técnicos. Em determinadas regiões, o adensamento urbano pode representar melhor aproveitamento da infraestrutura instalada e reduzir a expansão horizontal da cidade, desde que venha acompanhado de investimentos em saneamento, drenagem, mobilidade e serviços públicos.
 
"O debate não deve ser apenas sobre construir mais ou menos. A principal discussão é como construir uma cidade mais eficiente, sustentável e preparada para o futuro. Um planejamento urbano bem elaborado beneficia toda a população, independentemente de estar comprando um imóvel ou não", conclui.
 
A expectativa é que a revisão do Plano Diretor estabeleça as bases para o desenvolvimento urbano de Maceió nas próximas décadas, influenciando diretamente os investimentos públicos e privados, o mercado imobiliário e a forma como a capital alagoana continuará crescendo. Mais do que atualizar uma legislação defasada, o processo representa uma oportunidade para adequar o planejamento urbano às transformações econômicas, sociais e territoriais que redesenharam a cidade nos últimos anos.
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