Família de alagoano morto por PMs em São Paulo ainda aguarda traslado do corpo 4 meses após execução

Publicado em 23/10/2025, às 09h25
Jeferson de Souza e a irmã, Micaele Souza - Foto: Reprodução/TV Pajuçara

Eberth Lins

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Quatro meses após a morte de Jeferson de Souza, alagoano que vivia em situação de rua e foi morto durante uma abordagem policial no Centro de São Paulo, a família ainda aguarda a liberação e o traslado do corpo para o município de Craíbas, no interior de Alagoas, onde ele deverá ser sepultado.

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A espera, marcada pela dor e pela falta de respostas, tem angustiado os familiares, especialmente a irmã, Micaele Souza, que tem feito apelos públicos para que o caso seja resolvido.

Imagens de câmeras corporais de policiais militares mostraram que Jeferson foi executado sob o Viaduto 25 de Março, no dia 13 de junho, durante uma ação da Força Tática. À época, a Polícia Militar afirmou que ele teria tentado tomar a arma dos agentes, versão desmentida por gravações que revelaram a violência da abordagem; assista ao vídeo:

 

A Justiça determinou que o Governo de São Paulo fosse responsável pelo traslado até Craíbas. No entanto, a decisão judicial ainda não foi cumprida e o corpo segue no IML da capital paulistana. Em desabafo emocionado, Micaele contou que a família vive um sofrimento que parece não ter fim.

“O corpo do meu irmão infelizmente se encontra no IML, não sei mais o que fazer. A verdade é que já estou perdendo as esperanças. Tudo o que eu mais queria era dar um enterro digno ao meu irmão. Espero que através desse vídeo toque no coração de vocês e consigam mandar o corpo dele. É doloroso para a família, só a gente sabe o que estamos passando. São quatro meses, não são quatro dias. Saber que tiraram a vida dele de uma forma tão brutal, quanto tempo mais teremos que esperar? A cada dia que passa, a ferida cresce mais e a gente sem poder dar um enterro digno ao meu irmão”, expôs.

A investigação

De acordo com a investigação, os policiais, um tenente e um soldado, alegaram que Jeferson teria tentado tomar a arma de um dos agentes, justificando os disparos. No entanto, as imagens mostram que ele estava desarmado, acuado e chorando, com as mãos para trás, quando foi morto com três tiros de fuzil, na cabeça, no tórax e no braço.

Antes da execução, Jeferson foi levado para trás de uma pilastra, onde permaneceu sentado, sendo interrogado. Em determinado momento, o soldado encobriu a lente da câmera corporal, e segundos depois a vítima já aparecia sem vida, desmentindo completamente a versão apresentada pelos PMs.

Policiais presos

Desde julho, os dois agentes estão presos no Presídio Militar Romão Gomes e respondem por homicídio doloso, falsidade ideológica e obstrução de Justiça.

Segundo o Ministério Público, o crime foi cometido com “motivo torpe” e demonstrou “absoluto desprezo pelo ser humano e pela condição da vítima, pessoa em situação de vulnerabilidade social”.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo classificou o episódio como “inaceitável” e “vergonhoso”, e a Corregedoria da PM segue acompanhando o caso.

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