Flávio Bolsonaro herdará gabinete de Eunício no Senado

Publicado em 28/01/2019, às 13h07
Folhapress -

FolhaPress

No centro da polêmica envolvendo movimentações financeiras atípicas e auxiliares de seu gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) já sabe onde vai se instalar a partir de 1º de fevereiro, quando tomar posse no Legislativo federal.

LEIA TAMBÉM

O filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, herdará o gabinete do atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), no 17º andar do anexo 1. A maioria dos gabinetes de senadores fica neste prédio, a torre da esquerda do Congresso Nacional.

Segundo Eunício, o pedido foi feito pelo primeiro suplente de Flávio, o empresário Paulo Marinho (PSL). "Quem me pediu foi o seu primeiro suplente, Paulo, logo após os resultados das eleições", disse o presidente do Senado.

Questionado se ainda estava instalado ou se Flávio já havia ocupado o gabinete, Eunício respondeu que o novato só pode entrar a partir de sexta-feira (1º), quando os deputados eleitos tomam posse.

"Esta semana temos de retirar as coisas de lá", afirmou Eunício, que, sem ter conseguido se reeleger na última eleição, deixa o Senado no fim desta semana.

Na semana passada, a assessoria de imprensa do Senado informou que ainda não havia definição sobre que gabinete cada senador eleito ocuparia. "Os gabinetes só estarão à disposição dos novos senadores, eleitos nas eleições gerais de 2018, a partir de 1º de fevereiro do corrente ano, quando terá início a nova legislatura", informou a Casa em nota na quinta-feira (24).

No entanto, já há novatos instalados no Senado. O gabinete do 21º andar, por exemplo, oficialmente ainda está sendo utilizado pelo senador Vicentinho Alves (PR-TO), mas, na semana passada, o local, com uma bandeira da Bahia na entrada, já era utilizado por Angelo Coronel (PSD-BA).

Flávio toma posse nesta sexta-feira desgastado. O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou que o filho do presidente Jair Bolsonaro recebeu em sua conta bancária 48 depósitos, em dinheiro, em junho e julho de 2017, sempre no valor de R$ 2.000, totalizando R$ 96 mil.

De acordo com reportagem do Jornal Nacional, os depósitos foram feitos no autoatendimento da agência bancária que fica dentro da Alerj, e os remetentes não foram identificados. Flávio alega que recebeu dinheiro em espécie pela venda de um imóvel e que depositou R$ 2.000 por ser o limite no caixa eletrônico. Além disso, há investigações sobre funcionários do gabinete Flávio na Alerj.

O Coaf diz que Fabrício Queiroz, que era policial militar e motorista do filho de Bolsonaro, movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.
Além do valor, considerado incompatível com o patrimônio de Queiroz, chamaram a atenção o volume de saques –que chegaram a cinco em um mesmo dia– e o fato de ele ter recebido repasses de oito funcionários do gabinete de Flávio.

Soma-se a isso o fato de que uma operação deflagrada no Rio de Janeiro nesta semana tinha como um dos alvos de mandado de prisão o ex-capitão da PM Adriano Nóbrega, suspeito de chefiar milícias na cidade. A mãe e a mulher dele foram funcionárias comissionadas no gabinete de Flávio até 2018. Flávio atribui as indicações a Queiroz.

Apesar disso, a maioria dos candidatos à presidência do Senado afastou a possibilidade de investigar Flávio na Casa. A maioria dos entrevistados disse que não se deve pré-julgar Flávio e que ele já está sendo alvo de investigação de improbidade administrativa do Ministério Público.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Câmara aprova regime de urgência para projeto que cria o “imposto do congestionamento” Após denúncia de Rui Palmeira, Câmara de Maceió determina recadastramento de servidores Brasil repete sua segunda pior nota da série histórica em índice global de percepção da corrupção Entidades pedem veto de Lula ao PL dos supersalários na Câmara e no Senado