Nide Lins
Alter do Chão é um dos distritos do município de Santarém, no estado do Pará. Localizado na margem direita do Rio Tapajós, guarda muitos tesouros — entre eles a Floresta Encantada, obra-prima da mãe natureza. As melhores épocas para visitar vão de agosto a janeiro, quando o rio está em baixa e surgem lindas praias. Já de fevereiro a julho, com o rio cheio, forma-se uma imensidão de águas escuras, perfeita para longos passeios de barco. Assim, junto com minha sobrinha Amália Lins e meu amigo Ronaldo Silva, embarcamos no Carnaval para fugir das festas de Momo e vivenciar os sabores e as belezas amazônicas do Norte.
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Fique ligado: por lá, os passeios costumam ocupar o dia inteiro navegando pelo Tapajós. Vamos às dicas.
Floresta Encantada: Para conhecer esse paraíso, só de barco. Saímos às 10h do porto de Alter do Chão e retornamos às 19h30, com direito a pôr do sol na prainha doce. O passeio custa R$ 280 por pessoa (sem almoço), com água e frutas inclusas. Quem opera: Serenatur Alter do Chão (@serenatur.alterdochao).
A primeira parada é no Lago Verde, onde embarcações menores já aguardam os navegantes para uma nova aventura pela exuberante Floresta Encantada. Cada barquinho leva até cinco pessoas; o trajeto dura entre 1h ou 30 minutos custa R$ 90 por barco. A floresta densa, alagada pelo rio, vira espelho d’água. Árvores gigantes, troncos retorcidos, céu quase invisível — tudo arte viva. O barco desliza sem pressa; depois, banho e fotos inesquecíveis. Para nós (eu, Ronaldo e Amália), a Floresta Encantada pagou, literalmente, todo o investimento da viagem até Belém do Pará.
A parada para o almoço é na Praia do Pindobal: lugar bonito e comida típica. Aposte no peixe na brasa. O único porém foi a demora — 1h30 de espera —, compensada pelo sabor. Seguimos navegando até a hora mais esperada: o pôr do sol na praia doce da Ponta do Muretá. Destaque absoluto para o abacaxi no estilo pantaneiro, servido no sal de parrilha, limão e raspas de limão. Perfeito.
Onde ficar
No centrinho da vila Aler do Chão há boas pousadas, ideais para repousar, além de bons restaurantes e lojinhas de artesanato. Bem próximo fica a Ilha do Amor, faixa de areia branca onde, na maré alta, barquinhos fazem a travessia por R$ 10. Do outro lado, vários barzinhos convidam a ser feliz com peixes na grelha e moquecas de peixe, camarão seco e farofa de banana — tradição na região. E claro: banho garantido nas águas doces do Tapajós.
A Pousada Coração Verde (@hotelcoracaoverde) é simples e aconchegante, com café da manhã (senti falta do açaí), mas oferece cozinha compartilhada e churrasqueira para os hóspedes.
Onde comer na vila de Alter do Chão
Tribal Restaurante Indígena (@tribalrestauranteindigena)– Simples, com culinária tradicional. Pedimos o tambaqui na brasa (serve bem quatro pessoas por R$ 120), com arroz de jambu, vinagrete, farofa e banana-da-terra.
Cantinho do Caranguejo (@cantinhodocaranguejoalter) – Um dos mais indicados para sabores autênticos das marés amazônicas. Especializado em caranguejo, também trabalha peixe e camarão. Descobri só no último dia: comi um bolinho de caranguejo — o melhor da viagem.
Prime Ribs (@primeribsalter)– Hambúrgueres caseiros na brasa; o prato executivo vale muito para o jantar, com carnes nobres.
Casa do Saulo (@casadosaulotapajos) – À beira-rio, une gastronomia regional e acesso para banho. Destaque para o filhote na brasa, com arroz e salada de feijão Santarém. O deslocamento terrestre via agência custa, em média, R$ 500 (ida e volta).
No mais, é caminhar pela vilinha de Alter do Chão, tomar banho na Ilha do Amor, comer moqueca (sem dendê) e, se puder, ficar mais tempo navegando pelo Rio Tapajós. Viver experiências amazônicas como a Floresta Encantada é, simplesmente, ser feliz na natureza.
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