“Foi uma surpresa descobrir que um serial killer matou minha mãe”, diz filho de idosa assassinada por Albino

Publicado em 05/03/2026, às 11h02
O julgamento de hoje envolve brutal assassinato de Genilda Maria da Conceição, uma idosa de 71 anos morta na frente do neto. - Foto: João Victor Souza/TNH1

João Victor Souza e Eberth Lins

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O julgamento do caso da morte de Genilda Maria da Conceição, de 71 anos, começou nesta quinta-feira (05), no Fórum do Barro Duro, em Maceió, cercado de emoção e expectativa da família da vítima. O crime é apontado como o primeiro assassinato atribuído a Albino Santos de Lima, conhecido como o “serial killer de Maceió”.

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Do lado de fora do plenário, o filho da idosa relembrou a rotina da mãe e o choque vivido pela família desde o dia do crime. “Ela vivia com esse neto, fazia tudo por ele. Minha mãe era uma dona de casa. Foi um choque quando eu vi que foi falado que ela tinha envolvimento com ponto de tráfico, como foi a alegação dele [Albino]. Fiquei em choque com essa declaração. A gente sabia que tinham pessoas que usavam drogas perto da casa dela, a gente até alertava, mas quem tinha que agir era a Segurança Pública, não minha mãe”, disse.

Segundo ele, a família sequer sabia que o acusado morava próximo da vítima. “Eu descobri que ele era vizinho dela há poucos dias. Até então não sabia que ele morava três casas depois”, contou.

Genilda foi assassinada na manhã de 6 de fevereiro de 2019, no Beco de Zé Miguel, enquanto levava o neto, de 11 anos, para a escola. A idosa foi atingida por tiros pelas costas e não teve chance de defesa.

No início, a família recebeu informações desencontradas sobre o que havia acontecido.

“Inicialmente falaram que era assalto. Depois vimos o que tinha acontecido. No dia, o marido da minha prima me ligou e disse que a minha velhinha tinha sido baleada e estava mal no pronto-socorro. Quando cheguei lá, já estava morta”, relatou.

Para o filho, a descoberta de que o crime teria sido cometido por um serial killer trouxe ainda mais impacto para a família. “Foi uma surpresa descobrir que um serial killer a matou. Vamos ver se hoje acaba isso. A Justiça existe, mas não pra quem morre. Quem foi culpado pagará de forma condenatória. É uma punição. Mas o que é a Justiça? É ficar preso por 20 anos ou ser absolvido? O Poder Judiciário faz o seu papel, mas quem está morto não volta”, afirmou.

Em outro momento, ele também lamentou a perda da mãe. “Minha mãe não era blindada. Espero que Deus tome conta dela", complementa.

Albino voltou atrás

Durante depoimento prestado nesta manhã no tribunal, Albino Santos de Lima negou ser o autor do assassinato. O réu afirmou que chegou a assumir o crime anteriormente porque estaria “delirando” na época, e que depois, já em plena consciência, passou a negar a autoria.

"Nesse caso sou inocente. Nos demais, infelizmente, aconteceu e vocês sabem que foi o Miguel. A questão é estrutural, o doutor Antônio [promotor de justiça] quer me condenar. Estão se aproveitando de um homem que adoeceu mentalmente de tanto trabalhar pelo Estado, acompanhando rebelião. Embora, esses problemas mentais sejam genéticos", alegou o serial killer.

O caso de Genilda passou a ser atribuído a ele após a apreensão de um celular que continha uma fotografia da vítima armazenada.

O júri popular é conduzido pelo juiz Yulli Rotter, da 7ª Vara Criminal. O Ministério Público de Alagoas é representado pelo promotor de Justiça Antônio Villas Boas. A expectativa é de que a sentença seja divulgada ainda na tarde desta quinta-feira.

Albino Santos de Lima está preso desde setembro de 2024.

Relembre os júris do serial killer de Maceió: 

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