Redação EdiCase
Celebrado em 26 de janeiro, o Dia da Gula marca o prazer de comer e a relação afetiva que muitas pessoas mantêm com os alimentos. No entanto, a data também serve como um convite à reflexão sobre o food noise, termo utilizado para descrever o “barulho mental” causado por pensamentos frequentes, insistentes e, muitas vezes, incontroláveis sobre comida.
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Embora pensar em alimentação ao longo do dia seja normal, o food noise se torna preocupante quando passa a interferir no bem-estar, na rotina e no comportamento alimentar. “O food noise não é uma doença em si, mas um sintoma associado a alterações emocionais, metabólicas e comportamentais, podendo aparecer em pessoas com ansiedade, estresse elevado, dietas muito restritivas ou relação desequilibrada com a comida. Em alguns casos, também pode estar ligado a fome não atendida, picos de glicemia ou a quadros de compulsão alimentar”, explica o neurocirurgião e professor do curso de Medicina da Faculdade Pitágoras, Dr. Mario Braga.
Conforme o médico, o food noise acontece quando há um desequilíbrio entre os sistemas que regulam fome, saciedade, recompensa e emoção no cérebro. “Em condições normais, áreas como o hipotálamo controlam a fome fisiológica, enquanto regiões como o córtex pré-frontal ajudam no controle racional; e o sistema de recompensa, especialmente o núcleo accumbens, responde ao prazer de comer”, pontua.
Ele explica que algumas condições podem favorecer esse quadro. “Quando esse equilíbrio é afetado, por estresse, ansiedade, privação de sono, dietas muito restritivas, oscilação de glicose ou gatilhos emocionais, o sistema de recompensa se torna hiperativado, fazendo com que a comida ocupe espaço constante nos pensamentos. Ao mesmo tempo, o córtex pré-frontal perde eficiência no controle dos impulsos, e o cérebro passa a enviar sinais repetitivos relacionados à alimentação, criando o ‘barulho mental’ característico do food noise”, esclarece o Dr. Mario Braga.
Segundo o médico, alguns sintomas comuns do food noise são:
O diagnóstico do food noise é clínico, feito por médico ou nutricionista com base na avaliação dos hábitos alimentares, rotina, níveis de estresse, histórico emocional e padrão de fome do paciente. Profissionais de saúde mental também podem atuar no processo, especialmente quando há suspeita de compulsão alimentar, ansiedade ou depressão.
O tratamento do food noise depende da causa, mas geralmente envolve:
Por Camila Souza Crepaldi
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