Ginecologista suspeito de estuprar 23 pacientes: tudo o que se sabe

Publicado em 25/04/2026, às 18h15
Médico Marcelo Arantes é suspeito de estuprar pacientes em Goiás - Divulgação/Polícia Civil

Aléxia Sousa / Folhapress

Um médico ginecologista foi preso, na quinta-feira (23), suspeito de estuprar pacientes durante consultas em Goiânia (GO). Nessa sexta (24), após passar por audiência de custódia, a Justiça manteve a prisão preventiva de Marcelo Arantes e Silva.

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Segundo a Polícia Civil, o médico é investigado por uma série de crimes de estupro de vulnerável cometidos contra pacientes em consultórios e clínicas particulares. Até o momento, 23 mulheres foram identificadas como possíveis vítimas, sendo 10 na capital do estado e 13 em Senador Canedo, na região metropolitana de Goiânia. Em ao menos um dos casos o Ministério Público já apresentou denúncia à Justiça.

Marcelo Arantes permaneceu em silêncio durante o depoimento na delegacia e está detido no presídio de Senador Canedo.

A defesa do médico afirma que a prisão é desnecessária, sustenta que ele é inocente e diz que irá recorrer. Os advogados alegam ainda que o profissional já se afastou da atividade e tem colaborado com as investigações, além de afirmar que ele possui histórico ético e já foi absolvido em um dos processos.

De acordo com a delegada Amanda Menuci, responsável pelas investigações, novas denúncias surgiram recentemente e ajudaram a consolidar o pedido de prisão preventiva. No dia 19 de março, três mulheres procuraram a Delegacia da Mulher em Goiânia relatando episódios semelhantes envolvendo o médico.

Menuci afirma que o ginecologista adotava um padrão de comportamento para ganhar a confiança das pacientes antes dos abusos. Segundo a delegada, as primeiras consultas eram marcadas por toques físicos indevidos e perguntas invasivas sobre a vida íntima das mulheres.

"É um verdadeiro predador sexual que faz do ambiente clínico um local de vulnerabilização das vítimas, se aproveita dessa autoridade médica que ele tem sobre elas", afirmou a delegada.

Ainda segundo a polícia, os relatos apontam que o médico realizava exames sem luvas, fazia perguntas de cunho sexual durante os atendimentos e, em alguns casos, questionava as pacientes sobre sentir prazer. Há também denúncia de prática de sexo oral durante consulta.

A tipificação dos crimes como estupro de vulnerável se baseia, de acordo com a investigação, na condição de vulnerabilidade das vítimas durante o atendimento médico, tanto física quanto psicologicamente, diante da autoridade exercida pelo profissional.

Uma das vítimas relatou que ficou paralisada durante o atendimento. "A gente fica completamente imóvel, não tive coragem, acho que, por alguns minutos, eu morri ali na cadeira", disse, em entrevista à TV Anhanguera. Ela contou que o médico começou a consulta de forma cordial, mas depois passou a tocá-la de maneira inadequada. "Quando a gente está completamente sem roupa, ele vai e faz alguma coisa. Ele enfiou o dedo, falou com questão de lubrificação, coisas que não tinham nada a ver com o procedimento."

Em outro relato, uma paciente afirmou que foi abusada mais de uma vez e que, em uma das ocasiões, estava acompanhada da filha adolescente.

A investigação aponta que o primeiro caso conhecido ocorreu em 2017, em Senador Canedo. Em 2020, uma mulher denunciou situação semelhante em Goiânia. Já entre 2025 e 2026, ao menos três novas vítimas formalizaram denúncias na capital.

A delegada acredita que o número de vítimas pode ser maior e, por isso, a polícia autorizou a divulgação do nome e da imagem do médico, com o objetivo de incentivar outras mulheres a procurarem as autoridades.

A Polícia Civil informou que a prisão preventiva foi solicitada devido à repetição dos crimes e à necessidade de interromper a atuação do investigado. O prazo da prisão é indeterminado, e os inquéritos seguem em andamento.

O Cremego (Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás) informou que o registro profissional do médico foi suspenso por decisão judicial. O órgão destacou que denúncias sobre conduta ética são apuradas sob sigilo e que também solicitou esclarecimentos ao responsável técnico pelas unidades citadas nas investigações.

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