Vitor Hugo Batista/Folhapress
Vídeos e áudios que mostram celebridades, influenciadores e até médicos recomendando medicamentos ou suplementos alimentares podem ter sido manipulados por IA (inteligência artificial). O alerta, publicado nesta terça-feira (21), é da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que orienta consumidores a desconfiar de conteúdos usados para promover produtos de saúde nas redes sociais.
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A tecnologia conhecida como deepfake permite alterar imagens, vídeos e vozes para simular declarações de pessoas que não fizeram determinada recomendação. Segundo a agência, esse tipo de conteúdo pode ser usado para conferir credibilidade a produtos clandestinos, produzidos sem autorização, ou falsificados, que imitam produtos originais.
Em fevereiro deste ano, a Meta, dona do Instagram e Facebook, processou pessoas e empresas do Brasil, da China e do Vietnã acusadas de usar imagens e vozes manipuladas de celebridades para vender produtos de saúde fraudulentos.
Entre as personalidades que tiveram a imagem usada sem autorização está o médico Drauzio Varella. Em texto publicado em sua coluna na Folha em outubro de 2025, ele relatou que tentava havia anos retirar das redes sociais vídeos falsos que usavam sua imagem para promover produtos que prometiam, entre outros resultados, curar diabetes, aliviar dores nas costas e provocar a perda de 20 quilos em um mês. O médico afirmou que chegou a levar o caso ao Ministério Público de São Paulo.
"É assustador ver pessoas esclarecidas caírem nessas armadilhas, por acreditar que estou indicando produtos capazes de curar diabetes, dores nas costas, neuropatias periféricas e emagrecer 20 quilos em um mês", escreveu Drauzio.
Mesmo quando a recomendação é feita de fato por uma celebridade ou influenciador, a Anvisa orienta que o consumidor não adote um tratamento com base apenas nesse tipo de aconselhamento.
O histórico clínico, as doenças preexistentes e os medicamentos utilizados variam entre as pessoas, e um produto indicado para um paciente não necessariamente é adequado para outro.
A agência também chama a atenção para conteúdos publicados por influenciadores contratados por marcas para impulsionar vendas ou captar clientes. A recomendação é procurar um profissional de saúde habilitado antes de iniciar qualquer tratamento.
"Mesmo quando agem motivados por boa-fé, é importante lembrar que nem toda pessoa que cria conteúdo conhece as particularidades do quadro de saúde de cada indivíduo", diz a Anvisa.
A mesma cautela deve ser adotada quando o conteúdo apresenta um médico como responsável pela recomendação. Anúncios enganosos podem usar profissionais criados ou manipulados por inteligência artificial para divulgar medicamentos, suplementos e outros produtos de saúde.
A Anvisa recomenda verificar as credenciais do profissional no conselho responsável pela categoria. No caso dos médicos, a consulta pode ser feita no site do CFM (Conselho Federal de Medicina).
A agência também alerta para a comercialização de medicamentos em redes sociais, marketplaces, sites que não pertencem a farmácias regularizadas e por vendedores sem autorização. No Brasil, medicamentos só podem ser vendidos por farmácias regularizadas pela vigilância sanitária ou por seus sites oficiais.
A Anvisa orienta que os consumidores verifiquem a regularidade do produto antes da compra. A consulta pode ser feita com os dados do medicamento no sistema de consulta da agência.
Suplementos alimentares também exigem atenção. Esses produtos são destinados à suplementação de nutrientes, substâncias bioativas, probióticos ou enzimas e não podem fazer alegações de cura, tratamento ou prevenção de doenças e agravos.
A promessa de um suplemento para tratar ou curar problemas de saúde, portanto, deve ser vista como um sinal de alerta. A agência afirma que a comercialização de produtos com esse tipo de alegação pode estar associada a propaganda enganosa e à venda de produtos clandestinos ou falsificados.
A Anvisa também recomenda cautela com anúncios que apresentam soluções como "100% naturais" ou "sem riscos". O fato de um produto ser obtido a partir de plantas não elimina a possibilidade de efeitos adversos ou problemas decorrentes do uso inadequado.
Medicamentos fitoterápicos, por exemplo, são obtidos a partir de plantas medicinais, mas precisam estar regularizados junto à Anvisa. O uso deve seguir as orientações previstas para o produto e, quando necessário, contar com avaliação de um profissional de saúde.
A agência também alerta para produtos comercializados como "químicos experimentais" ou destinados a "fins de pesquisa". Segundo a orientação, essas nomenclaturas não autorizam a venda para uso humano e podem ser utilizadas para tentar enganar consumidores.
Produtos que não passaram pela avaliação da Anvisa não têm garantias de segurança para uso humano. No caso dos medicamentos, também não há garantia de eficácia.
A orientação é verificar a regularidade do medicamento ou suplemento antes da compra e buscar avaliação de um profissional de saúde habilitado antes de iniciar qualquer tratamento.
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