Yasmin Gregorio*
Um golpe aplicado pelas redes sociais tem feito vítimas em Maceió e acendido o alerta das autoridades. Criminosos têm se passado por delegados da Polícia Civil de Santa Catarina, utilizando documentos falsificados, vídeos e até imagens de supostos sistemas policiais para intimidar vítimas em Alagoas e exigir transferências bancárias sob ameaça de prisão.
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A dinâmica da fraude foi detalhada pelo advogado Lucas Santiago, durante entrevista ao programa Fique Alerta, da TV Pajuçara. Segundo ele, os criminosos utilizam perfis falsos, geralmente com fotos de homens e mulheres jovens, para iniciar conversas e ganhar a confiança das vítimas.
Depois do primeiro contato pelas redes sociais, a conversa migra para aplicativos de mensagens, como o WhatsApp. É nesse momento que o golpe começa a tomar outro rumo.
Como o golpe funciona
De acordo com o advogado, após dias de conversa, os criminosos já possuem informações pessoais da vítima, como nome, telefone e até endereço. Em seguida, entram em contato fingindo ser autoridades policiais.
“Posteriormente, entra em contato pelo WhatsApp já de posse das informações pessoais, endereços, telefone e CPF”, explicou Lucas Santiago.
Segundo ele, os golpistas afirmam que a pessoa com quem a vítima conversava seria menor de idade e que familiares teriam registrado denúncia por suposto aliciamento de menores.
Em mensagens obtidas pelo TNH1, é possível ver o tom utilizado pelos criminosos para pressionar e intimidar as vítimas. Em um dos trechos, o golpista escreve:
“BOM DIA CIDADÃ! AQUI É O DELEGADO MARCOS VINICIUS DO ‘DECA’ DEPARTAMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ESTOU COM O PAI E A MÃE DO MENOR RAFAEL SANTOS AQUI NA MINHA DELEGACIA E ESTÃO LHE DENUNCIANDO POR PEDOFILIA INFANTIL”.
Na sequência, o criminoso afirma que o celular do suposto adolescente teria passado por perícia policial.
“O APARELHO CELULAR DO MENOR RAFAEL SANTOS FOI PERICIADO E NESTAS CONVERSAS FOI CONSTATADO ALICIAMENTO DE MENOR”.
Em outro momento, o golpista ameaça expedir um falso mandado de prisão caso a pessoa não responda às mensagens.
“CASO A SR.A TENTAR FUGIR OU BLOQUEAR ESTAREMOS EXPEDINDO SEU MANDATO DE PRISÃO PREVENTIVA”.
Os golpistas também enviam áudios e fazem ligações insistentes, afirmando que familiares do suposto menor estariam desesperados após descobrirem as conversas. Segundo o advogado, o objetivo é provocar medo e pressão psicológica para forçar transferências bancárias via Pix para supostamente evitar prisão ou arquivar o caso.
Para tornar a ameaça mais convincente, os criminosos enviam imagens de delegacias, documentos falsificados, supostos mandados de prisão e até vídeos simulando sistemas internos da Polícia Civil. Confira abaixo.
“A vítima se sente coagida e acaba fazendo transferências financeiras para evitar um suposto mandado de prisão”, explicou Lucas Santiago.
O advogado também detalha que, em muitos casos, os pagamentos não encerram o golpe. Depois da primeira transferência, os criminosos continuam fazendo ameaças para exigir novos depósitos.
Como evitar cair na fraude
A Polícia Civil alerta que delegados não fazem cobranças financeiras por telefone nem entram em contato exigindo pagamentos para impedir prisões. “Não é assim que funciona. Deve haver investigação criminal e análise das circunstâncias pela autoridade policial”, reforçou Lucas Santiago.
A orientação é desconfiar de perfis desconhecidos que iniciam conversas íntimas rapidamente, evitar compartilhar dados pessoais e nunca realizar transferências sob pressão ou ameaça.
Em caso de suspeita, a recomendação é interromper o contato imediatamente, não atender novas ligações e procurar a polícia para registrar boletim de ocorrência.
*Estagiária sob observação.
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