Governador Paulo Dantas: “Alagoas não pode parar”

Publicado em 17/07/2022, às 11h05

Redação

Entrevista

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“Alagoas não pode parar, não pode sair dos trilhos”

Paulo Dantas – Governador de Alagoas

 

Natural de Maceió, Paulo Suruagy do Amaral Dantas, 43 anos, é produtor rural formado em administração de empresas pelo Cesmac. Filho de Luiz Dantas, deputado estadual e federal, depois de ser prefeito de Batalha, eleito em 2004 e reeleito em 2008, assumiu como deputado estadual em 2019.  Em 15 de maio, foi eleito pela Assembleia Legislativa governador de Alagoas, em lugar de Renan Calheiros Filho, para mandato até 31 de dezembro de 2022.

– Qual o sentimento de ainda tão jovem chegar ao cargo de governador?

– No meu discurso de posse eu falei muito na capacidade de sonhar. Quando eu era criança sonhava bastante com essa oportunidade. Eu cresci pensando em poder um dia ter a chance de mudar a vida das pessoas, em proporcionar melhorias para quem mais precisa. Poder se o governador de todos os alagoanos é um sonho que realizei, mas que me traz uma responsabilidade ainda maior, pois não posso decepcionar, não posso deixar de cumprir o que esperam do meu trabalho. Tenho dito que Alagoas não pode parar, não pode sair dos trilhos, é pra isso que acordo cedo, pego no trabalho e vou até o fim do dia. Temos muita coisa boa acontecendo. Estou dando continuidade e tenho a confiança de que podemos seguir em frente.

– Quais os critérios utilizados para a formação da equipe?

– Sob o meu comando, Alagoas tomou uma decisão histórica. Temos um governo com a maioria do primeiro escalão formado por mulheres. Elas são a maioria na nossa sociedade, portanto, nada mais justo que elas possam ser também a maioria no governo. E não é uma escolha somente por ser mulher, busquei nomes qualificados, de excelência e reconhecimento em suas áreas de trabalho. Além disso, estou dando a minha contribuição para quebrar com o ciclo do machismo, para que mais mulheres se sintam empoderadas e possam ocupar mais e mais espaços em toda a nossa sociedade. Outra coisa que sempre deixo bem claro é que não gosto de trabalhar com gente preguiçosa. Gente que se acomoda não fica na minha equipe, nem devia ter cargo público. Gente que fica deslumbrada com cargo é ruim para população. Não entrega o que se espera e gera um sentimento de decepção. Por isso quem tá comigo tem que trabalhar.

– Quando foi que, realmente, decidiu concluir o mandato de Renan Filho?

– Foi um processo que aconteceu de forma bem natural. Fui líder do bloco da maioria dentro da Assembleia Legislativa, por lá os deputados conheceram de perto a minha forma de trabalho, de sempre buscar unir, conciliar, de dialogar antes de decidir. E, esse processo foi tomando corpo, ganhando mais e mais adesões. Eram prefeitos e vereadores de toda Alagoas que falavam ‘Paulo, você é bom de trabalho. Você deveria tentar ser o próximo governador’. E a coisa foi ganhando forma, foi chegando cada vez mais lideranças para esse nosso projeto. Era um amigo que fazia um evento, outro que preparava uma reunião. E ao lado disso tudo é preciso agradecer ao apoio que tive da minha família, da minha esposa Marina – com quem sou casado há 25 anos – e das minhas filhas Paula e Luiza. Sem todo esse conjunto de forças essa nossa vitória não seria possível.

– Que legado recebeu do ex-governador?

– Um Estado organizado. Com obras que mudaram para sempre a história de Alagoas. Uma duplicação que ligou Maceió até Arapiraca, sonho antigo dos moradores das duas cidades. Temos mais de 1200 km de asfalto construídos ou reformados, são 10 UPA´s, sendo sete delas na capital, 5 novos hospitais espalhados por todo o Estado e que contribuíram decisivamente para salvar vidas na luta contra a Covid. E o que falar do Vida Nova nas Grotas? Mudou a vida de milhares de pessoas entregando dignidade para quem mora nessas regiões. Na área social, temos o sucesso do Cria, que oferece oportunidade para mães e filhos em um programa referencial e que só cresce. O Escola 10 reduzindo a evasão escolar e incentivando nossos jovens. Ou seja, muita coisa boa e que eu tenho a responsabilidade em dar continuidade ao que está funcionando.

– Até que ponto os mais de dois anos de pandemia afetaram o caixa do Estado?

– Sofremos. Como todo o mundo sofreu. Foram dias difíceis, mas nunca perdemos a esperança. Nisso, é preciso dizer, tivemos a sorte de ter ao nosso lado um técnico muito qualificado e diferenciado, como o secretário a Fazenda, George Santoro, que cuidou bem em organizar as finanças de Alagoas. Ele conseguiu aumentar a nossa arrecadação, atrair novas empresas e deixar os recursos em caixa, para conseguirmos colocar em prática tudo isso que temos feito e que as pesquisas já mostram que temos o melhor governo do Brasil.

– Quais os principais pontos do plano de retomada econômica de Alagoas, lançado logo no início da sua gestão?

– Um aporte de investimentos neste pós-pandemia, na ordem de R$ 450 milhões, pois entendemos que a iniciativa privada tem que caminhar integrada com o serviço público na geração de oportunidades e mais emprego para o povo de Alagoas. Essa iniciativa vai gerar, aproximadamente, 30 mil novos empregos, além de incentivar e ajudar o setor de turismo, que tem um potencial gigante, fazendo com que Alagoas continue gerando empregos e mais oportunidades para a população. Outro ponto que merece destaque é o reforço na área do saneamento onde estamos trabalhando para a universalização do saneamento básico e do abastecimento d’água em Alagoas. Estou muito otimista com tudo que está sendo executado.

– O que deve ser cumprido, desse plano, até o final deste ano?

– Muita coisa. Por exemplo, já estamos com o Programa de Recuperação Fiscal (Profis) em pleno funcionamento, para que as empresas que sofreram com perdas econômicas durante a pandemia possam renegociar suas dívidas e pagar seus tributos com redução de débitos. Além disso, anunciamos um pacote de incentivos fiscais por meio do Prodesin (Programa de Desenvolvimento Integrado), para permitir a instalação de mais 10 empresas no Estado, que vão gerar mais emprego, mais renda.

– No seu entender, o que é prioridade para a população de Alagoas nesse momento?

– Vencer essa crise que trouxe de volta a inflação para todo o país. Bom destacar que não é culpa nossa, mas dessa conjuntura nacional que trouxe aumento dos combustíveis, reajuste da conta de energia e do preço dos alimentos. Sou de um tipo de político que quer ver as pessoas felizes, fazendo a feira, colocando comida na mesa de casa, tendo seu carrinho, sua casinha, o seu direito de poder fazer um churrasquinho com os amigos no final de semana. Não consigo entender que alguém consiga estar satisfeito com este momento que estamos vivendo. E é muito uma questão de querer fazer. As chuvas caíram fortes entre o fim de maio e junho. O que fizemos? O Auxílio Chuvas. E assim colocamos R$ 2 mil para que as famílias desabrigadas e desalojadas possam se reerguer. É por isso que reforço que o governo de Alagoas vai seguir com suas políticas sociais que estão contribuindo decisivamente na redução da fome e na mitigação de tantos danos que essa inflação está trazendo.

– O senhor é de Batalha e o vice, José Wanderley, de Cacimbinhas, ambos os municípios no Sertão. Isso significa mais prioridade a essa região?

– Tenho muito orgulho do meu sertão. Do povo forte, trabalhador, que mesmo na dificuldade não desiste nunca e sempre mantem a esperança no horizonte. Tive a tão grande sorte de ter um vice sertanejo, uma referência na medicina, um homem que tantas vidas salvou e que por onde passa receber elogios por sua conduta como homem público. Vamos trabalhar por toda Alagoas com a mesma determinação, digo sempre que sou o governador do Agreste, do Litoral, da Zona da Mata e da região metropolitana. Temos que continuar com os programas sociais mudando a vida das pessoas. Uma gestão feita com seriedade, responsabilidade e pensando sempre em apoiar aos que mais precisam.

– O que dizer de críticas à contratação de artistas com altos cachês para as festas juninas, alguns sem identificação com a cultura regional?

– Alagoas passou dois anos sem comemorar uma de nossas maiores tradições. O setor cultural sofreu na pele com muitas dificuldades. Era preciso trazer de volta esses empregos, que vão do motorista ao segurança, passando pela cozinheira, por quem trabalha na rede hoteleira. Por isso, buscamos fazer com o Arraial da Gente o resgate de nossa história. Colocamos a estrutura para fazer o maior São João já organizado em Alagoas. Na nossa festa priorizamos as tradições nordestinas. Tivemos os mais variados grupos culturais, dos grandes artistas aos trios de forrozeiros, com polos espalhados em vários bairros da capital e também nas mais variadas cidades alagoanas. Foi um investimento de R$ 20 milhões que garantiu 30 mil empregos diretos e indiretos. Se depender do governo de Alagoas a cultura regional seguirá fortalecida.

– Já está programado para uma segunda gestão, caso seja reeleito em outubro?

– Estamos trabalhando para fazer o que precisa ser feito no atual mandato. Sou de trabalhar, de conversar e de resolver os problemas. Ainda tem tempo até chegarmos a outubro. Lógico que esperamos participar da eleição. As pesquisas estão apontando que já estamos na liderança, fortalecendo assim todo esse nosso projeto, que cada vez mais pessoas estão conhecendo e aderindo. Quero continuar nessa crescente para na convenção ser escolhido pelo meu partido e poder enfrentar as urnas trabalhando para alcançar a vitória. Até lá garanto mais trabalho.

*Esta entrevista foi originalmente veiculada na edição 62 da revista Alagoas S.A.

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