Governadores do Nordeste esvaziam reunião com equipe de Bolsonaro

Publicado em 14/11/2018, às 12h14
Agência Brasil -

O Povo Online

Ao menos 19 governadores eleitos no País encontram-se, nesta quarta-feira (14), em Brasília, com a equipe do futuro presidente do País, Jair Bolsonaro (PSL), que foi convidado a participar. No encontro desta manhã, contudo, boa parte dos chefes do Executivo do Nordeste levará falta, inclusive o pernambucano Paulo Câmara (PSB), que está em período de férias na Europa. De acordo com o governo do Piauí, o governador Wellington Dias (PT) representará a região, encaminhando as prioridades do grupo para o mandato que se inicia em 2019: geração de emprego e segurança pública.

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Com o agravamento da situação fiscal das unidades federativas, os gestores também devem pleitear junto a Bolsonaro a renegociação da dívida dos Estados, medida considerada primordial pelos governantes para que as contas estaduais voltem a se equilibrar. O Nordeste foi a única região do País em que o capitão da reserva não venceu nas eleições. Todos os governadores nordestinos mantêm postura de oposição ao novo governo, o que deve dificultar a relação dos Estados com a União.

O evento foi organizado pelos futuros governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e de São Paulo, João Doria (PSDB). Além desses, confirmaram participação na reunião os governadores eleitos do Acre, Gladson Cameli (PP); Amapá, Waldez Góes (PDT); Amazonas, Wilson Lima (PSC); de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM); Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB); Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM); do Pará, Helder Barbalho (MDB); Paraná, Ratinho Júnior (PSD); Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC); Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB); de Roraima, Antonio Denarium (PSL); Santa Catarina, Coronel Carlos Moisés da Silva (PSL); do Tocantins, Mauro Carlesse (PHS), e do Piauí, Wellington Dias.

O vice-governador da Bahia, João Leão (PP), que no momento é governador em exercício, representará o Estado. Até as 23h, nem o Palácio do Campo das Princesas nem a vice-governadora eleita, Luciana Santos (PCdoB), informaram se a deputada federal participaria da reunião. Os demais governadores eleitos ou reeleitos não confirmaram participação no encontro.

Para a cientista política Priscila Lapa, a ausência de alguns governadores neste primeiro encontro com o presidente eleito não deve, a princípio, ser considerado um boicote do grupo nordestino. “A leitura que podemos fazer dessa ausência é que talvez eles ainda não tenham uma estratégia sobre como se posicionar em relação a esse futuro governo”, pontuou, lembrando que os gestores estaduais terão outras oportunidades para apresentar suas demandas a Bolsonaro.

O cientista político Ernani Carvalho enxerga o quadro com cautela. O estudioso pondera que resquícios do período eleitoral tornam a situação de alguns futuros governadores e vice-governadores em relação a Bolsonaro delicada, mas diz que nenhum desses casos é de solução intransponível. “Fica difícil para a Luciana Santos, que é do PCdoB, um partido que é criticado abertamente pelo presidente eleito, se sentir à vontade de ir para uma reunião dessas. Mas isso poderia ter sido contornado com boa vontade, bom senso e, obviamente, política, que é o que eles foram contratados pelo povo para fazer”, declarou.


Apontadas por Wellington Dias como prioridades do Nordeste a serem discutidas na reunião, a geração de empregos e o combate à violência são pautas defendidas há tempos pelos chefes do Executivo da região. Em reunião dos governadores nordestinos, no último mês de março, no Piauí, a “Carta de Teresina” apresentou sugestões para a área de segurança pública, como a criação do Fundo Nacional de Segurança Pública, com recursos oriundos das loterias da Caixa; integração do Sistema de Comunicação das Polícias e dos Estados; implementação de operação de enfrentamento do crime nas áreas de divisas e fronteiras dos Estados do Nordeste e mutirão para julgamento de presos provisórios.

A preocupação dos líderes estaduais com esses temas não é à toa. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre os dez Estados com maior número de homicídios por 100 mil habitantes no Brasil, seis deles são do Nordeste. Quando o assunto é desemprego, a região, e sobretudo Pernambuco, também não peca por se preocupar. Apesar de ter reduzido a taxa de desemprego de 17,7% para 16,9% entre o primeiro e o segundo trimestre de 2018, de acordo com o IBGE, Pernambuco ainda está em terceiro lugar entre os Estados com o maior número de desempregados.

Questionado sobre a crise financeira dos Estados, outra preocupação dos gestores, o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), afirmou que a prioridade de Bolsonaro é garantir o equilíbrio fiscal do governo federal. “O Brasil precisa desamarrar sua economia para voltar a crescer, aí se geram recursos novos através de impostos, e isso vai atender tanto o governo federal quanto os Estados”, declarou. Sobre o mesmo tema, Bolsonaro disse: “O que eles querem, eu também quero: dinheiro”.

Apesar da indicação negativa em relação ao pleito, o cientista político Artur Leandro crê que a tendência é que o próximo governo atenda aos anseios dos gestores. “O governo federal deve repactuar o vencimento dessas dívidas, mas as condições de pactuação serão feitas caso a caso”, afirmou.

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