Governo faz ofensiva sobre centrão, mas partidos querem atrasar Previdência na CCJ

Publicado em 11/04/2019, às 21h40
-

Folhapress

O governo não conseguiu barrar o movimento de líderes do centrão na Câmara que querem atrapalhar a votação da reforma da Previdência, prevista para terça-feira (16) ou quarta-feira (17).

LEIA TAMBÉM

O Planalto quer que a análise da proposta na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), primeira etapa do texto na Casa, seja concluída antes da Páscoa, e fez ofensiva para tentar demover parlamentares de atrasar os prazos.

O centrão reúne partidos independentes ao governo do presidente Jair Bolsonaro, como PP, PR, DEM, PRB, Solidariedade e Podemos. Líderes desse grupo querem que a CCJ vote a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do Orçamento impositivo antes da reforma da Previdência.

Integrantes desses partidos foram procurados pelo líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO). O interlocutor do presidente, no entanto, não obteve sucesso.

"A PEC do Orçamento impositivo é prioridade", disse, nesta quinta-feira (11), o líder do PR, Wellington Roberto (PB).

"O Podemos quer garantir a aprovação da PEC do Orçamento impositivo, que é a proposta consensual", afirmou o líder da sigla, José Nelto (GO).

Em meio ao embate entre Câmara e Palácio do Planalto, deputados desenterraram esse texto de 2015 que engessa ainda mais o Orçamento federal, dando mais poder para os parlamentares, que elaboram o plano de gastos públicos para cada ano.

Vitor Hugo e a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), tentam garantir que a PEC da reforma da Previdência seja aprovada na CCJ até terça.

"Não quero demover o centrão a tentar votar a PEC do Orçamento impositivo, quero construir um acordo para que a CCJ aprove as duas PECs na próxima semana. O governo não quer que a votação da reforma da Previdência seja atrasada", afirmou Vitor Hugo.

Por causa do feriado de Páscoa, há risco de não haver quórum para votar a proposta. Integrantes do centrão e da oposição a Bolsonaro, portanto, podem trabalhar em conjunto para que o texto que altera as regras de aposentadorias seja votado apenas depois da Páscoa.

Nos últimos dias, Bolsonaro se reuniu com líderes e presidentes de partidos em busca de formar sua base de apoio no Congresso, mas ainda enfrenta dificuldades para convencê-los a votar a favor dos interesses do governo.

A postura de Bolsonaro durante as conversas foi criticada. Muitos deputados afirmam que ele se comportava como um assessor, e não como presidente da República. Segundo parlamentares, ele dava opiniões que eram em seguida negadas por seus ministros de articulação política, por exemplo.

Nesta terça (9), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que se afastou da articulação da reforma depois de brigas com Bolsonaro, fez um apelo aos líderes partidários para que não atrapalhassem a votação na comissão.

Os partidos toparam trabalhar para que o mérito do texto não seja mexido, mas têm se movido ainda para atrapalhar os prazos.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Câmara aprova regime de urgência para projeto que cria o “imposto do congestionamento” Após denúncia de Rui Palmeira, Câmara de Maceió determina recadastramento de servidores Brasil repete sua segunda pior nota da série histórica em índice global de percepção da corrupção Entidades pedem veto de Lula ao PL dos supersalários na Câmara e no Senado