Governo sabia que prisão tinha até metralhadora antes de massacre

Publicado em 05/01/2017, às 21h55

Redação

Um relatório de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas mostra que as autoridades tinham informações de que presos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, portavam pelo menos 11 armas na véspera do massacre que deixou 56 mortos na unidade, em sua maioria membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

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De acordo com o relatório, que também menciona informações sobre uma tentativa de fuga, uma metralhadora e duas pistolas estariam com um interno conhecido como Nigéria e outras oito teriam entrado com visitantes do presídio nas vésperas do Natal. Agentes penitenciários de socialização teriam ajudado na entrada das armas no presídio, diz o documento.

“Segundo informações anônimas, o interno Francis Olumuyiwa Olufunwa ou Adenkunle – vulgo “Nigéria” – estaria em posse de uma metralhadora (calibre desconhecido) e duas pistolas (calibres desconhecidos). O referido interno teria cumprido 1/6 de sua pena no Compaj Fechado, sendo de conhecimento da Seap que em todas as tentativas de fuga os internos do Fechado teriam obtido apoio operacional e logístico do semiaberto”, diz o relatório.

O secretário da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do Amazonas, Pedro Florêncio, estava viajando no réveillon, noite em que aconteceu o massacre.

Florêncio havia permitido, nas noites de Natal e de Ano Novo, que os detentos recebessem visitas de pelo menos um familiar cada, que também tinham permissão para pernoitar na cadeia.

O secretário se defendeu dizendo que a medida tinha o intuito de “humanização das pessoas encarceradas”.

A empresa responsável pela segurança das cadeias no Amazonas, a Umanizzare, informou que em 27 de dezembro, quatro dias antes dos assassinatos no presídio, avisou à Seap dos problemas ocorridos no dia de Natal, quando a grande quantidade de visitantes acabou prejudicando as revistas e até mesmo a contagem de presos.

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