Guedes faz críticas ao PSL e diz que governo enfrenta a si mesmo no Congresso

Publicado em 27/03/2019, às 18h30
EBC -

Folhapress

O ministro Paulo Guedes (Economia) fez críticas à atuação do PSL, o partido do presidente Jair Bolsonaro, e indicou que este foi um dos fatores que o fez não ir a audiência na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) nesta terça-feira (26).

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Ele afirmou que o governo tem trabalhado e está tentando acertar. Em 60 dias apresentou um pacote anticrime e uma proposta de reforma da Previdência. Mas, no Congresso, o governo parece enfrentar a si mesmo.

"Quando parte para ações no Congresso, o próprio opositor dele [o governo] é ele mesmo. Então algo está falhando do nosso lado", disse Guedes.

"Realmente é assustador, ontem eu tomei um susto. O aviso que eu tinha é: 'você foi convocado para ir num lugar onde não tem relator, todo mundo vai atirar pedra e seu partido vai atirar também porque estão contra a reforma'. Não entendi mais nada", disse Guedes, referindo-se à participação prevista na CCJ.

O ministro afirmou que, em seu cálculo político, o PSL deveria fechar questão em apoio à reforma, mesmo apoiando mudanças no texto. A líder do governo no Congresso, a senadora Joice Hasselman (PSL-SP), disse nesta terça-feira (26) à noite que o PSL fecharia questão. O DEM também fecharia questão, na visão de Guedes, uma vez que ocupa ministérios e já se posicionou a favor da reforma.

Ele minimizou, porém, o choque entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM) e o presidente Bolsonaro. Na sua visão, trata-se de um choque de acomodação que será superado.

O ministro respondeu ao questionamento do senador Major Olímpio (PSL-SP) sobre a interpretação da equipe econômica da emenda constitucional que engessa ainda mais o Orçamento federal, aprovada na Câmara na noite desta terça (26).

Parte dos parlamentares, inclusive o filho do presidente Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), votou a favor da emenda. Olímpio, por sua vez, criticou o engessamento extra e cobrou orientação do governo.

Na avaliação de Guedes, a aprovação da emenda do Orçamento foi uma "demonstração de força política da Câmara". Ele considera que a emenda tem um sinal positivo e outro negativo.

"Foi uma disputa de espaço político. Foi mostrado o seguinte: vocês têm uma reforma que acham importante, que tem seis meses para aprovar, que é a Previdência. Pode ser aprovado em dois dias, pode ser aprovado até no mesmo dia", disse Guedes.

Guedes criticou a inserção de mais um gasto "carimbado" no Orçamento -emendas parlamentares. Mas afirma que se o carimbo dá preferência a emendas que vão para estados e municípios, ela vai no sentido positivo, de descentralizar recursos do governo central para estados e municípios.

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