João Gabriel / Folhapress
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) pediu uma reunião com a Petrobras para tratar do vazamento de fuido durante a perfuração do bloco 59 da bacia de petróleo de Foz do Amazonas.
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Em ofício enviado na última quarta-feira (7), o instituto cita a "a grande preocupação já manifestada [...] acerca dos riscos e potenciais impactos da atividade" na região.
O Ibama pede que a Petrobras disponibilize uma data para fazer uma reunião, na qual a petroleira deve apresentar informações sobre o acidente e mostrar "medidas a serem adotadas para evitar que o cenário acidental se repita".
Procurada na tarde desta sexta-feira (9), a petroleira brasileira não respondeu.
No último domingo (4), a Petrobras registrou um vazamento na perfuração e paralisou as atividades no local.
O acidente aconteceu a cerca de 2.700 metros de profundidade, com um fluido injetado na operação da sonda perfuradora, em duas linhas (tubulações) auxiliares, e não se trata de um escape de petróleo.
O Ibama analisa o caso, que é passível de multa. O trabalho do navio sonda que atua na região ainda está na metade do caminho, ou seja, ainda não atingiu a bacia de óleo.
A coordenação de licenciamento do instituto pede agora que seja produzido um relatório mostrando o que causou o vazamento e que também detalhe tanto a quantidade de líquido que escapou quanto a sua composição.
No relatório inicial sobre o aceidente, a Petrobras estimava em quase 15 mil litros de produto lançado no oceano.
No entanto, à ANP (Agência Nacional de Petróleo e Gás), a estatal citou o volume de pouco mais de 18 mil litros, conforme mostra documento da última reunião do órgão.
A agência condicionou a retomada das atividades de perfuração no bloco 59 a uma explicação do que causou o acidente.
O Ibama autorizou a perfuração do poço na Foz do Amazonas, bacia que integra a chamada margem equatorial do país, em outubro do ano passado, após anos de embates pela licença.
A exploração de petróleo na bacia Foz do Amazonas dividiu o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O projeto foi muito criticado por ambientalistas e pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, mas foi defendido por pastas como a de Minas e Energia, por parlamentares da base, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e pelo próprio Lula.
Após mais de uma década de análises, o Ibama liberou a perfuração às vésperas da COP30, a conferência sobre clima das Nações Unidas que aconteceu em Belém (PA).
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