Idoso e dócil: quem era Orelha, cão comunitário morto após agressões; suspeitos são adolescentes

Publicado em 26/01/2026, às 14h53
Orelha era um dos cães que se tornaram mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis - Reprodução / Redes sociais

g1

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O cachorro comunitário Orelha, de cerca de 10 anos, morto após ser agredido na Praia Brava, no Norte de Florianópolis é lembrado pelos moradores da região como "dócil e brincalhão", segundo a médica veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava o animal.

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A Polícia Civil identificou pelo menos quatro adolescentes suspeitos de participação nas agressões e, na manhã desta segunda-feira (26), cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.

Orelha era um dos cães que se tornaram mascotes da Praia Brava. A região conta com três casinhas destinadas aos animais comunitários, e o cachorro convivia diariamente com moradores e com outros cães do bairro.

O cachorro foi encontrado no dia 15 de janeiro agonizando por moradores, que o levaram a uma clínica veterinária, mas acabou sendo submetido à eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.

Ao g1, a médica veterinária contou que Orelha era “sinônimo de alegria” e que fazia parte de sua rotina com frequência. Segundo ela, o cachorro era extremamente dócil e brincalhão, além de fazer sucesso com os turistas.

“Cada vez que alguém falava com ele em tom mais fino ou fazia menção de fazer carinho, ele abaixava as orelhas, abanava o rabo e ia se deitando até ganhar carinho na barriga. Ele era muito amado. Até os turistas já o conheciam. Um cachorrinho de 10 anos… que mal faria a alguém?”, questionou.

A profissional explicou ainda que não havia um único responsável pelos custos, mas que Orelha nunca ficou sem atendimento médico. Ela tinha liberdade para fazer protocolos de vermifugação, vacinas e consultas sempre que necessário, e os moradores passavam depois para acertar os valores.

A Associação de Moradores da Praia Brava, destacou o papel afetivo do animal e informou que Orelha se tornou um "simbolo simples, mas muito querido". A entidade também divulgou uma nota lamentando o ocorrido.

“Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém muito querido, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que aqui vivem.”

Mobilização e protestos

Desde a morte, o caso tem mobilizado moradores da Praia Brava, no Norte de Florianópolis, organizações de proteção animal, celebridades e autoridades públicas em Santa Catarina.

No sábado (17), moradores da Praia Brava realizaram uma primeira mobilização pública. Nesse último sábado (24), um novo protesto reuniu dezenas de pessoas na região.

Vestindo camisetas personalizadas e segurando cartazes com frases como “Justiça Por Orelha”, os participantes caminharam acompanhados de seus próprios cães e fizeram uma oração em homenagem ao animal.

Moradores e internautas protestam e homenageam o cão Orelha nas redes sociais (Foto: Reprodução/@floripa_estacomvcorelha e @peachzmilk)

 

A mobilização também ganhou força nas redes sociais, com imagens de moradores e protetores segurando placas com a hashtag #JustiçaPorOrelha em frente aos seus cães.

Nesse domingo (25), as atrizes Heloísa Périssé e Paula Burlamaqui publicaram vídeos nas redes sociais lamentando a morte do cachorro e cobrando providências das autoridades.

“Quem faz isso com um animal inocente, por um simples querer, tende a repetir esse modelo de violência com outros seres vivos. A gente precisa estar atento a isso", disse.

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