Igualdade salarial também é meta para grandes empresas de tecnologia

Publicado em 22/10/2017, às 10h55

Redação

Que as mulheres conquistaram o seu espaço no mercado de trabalho, não há dúvidas. Segundo dados do IBGE, a mão de obra feminina corresponde a 43,8% da foça de trabalho no Brasil. Mas o aumento do número de funcionárias nas empresas não resolveu outra grave desigualdade: a diferença na remuneração entre os gêneros. Um triste problema que deve demorar décadas a ser resolvido no mundo.

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Segundo dados do Fórum Econômico Mundial, a igualdade de gênero no que diz respeito à remuneração só acontecerá daqui a 78 anos. Mas há previsões ainda mais alarmantes, como a da Associação Americana de Mulheres Universitárias, que prevê 135 anos até a equiparação salarial nos Estados Unidos, que está à frente do Brasil nesse quesito. Na prática, a verdade sob os números e estimativas é bem mais cruel: se nada for feito, nem nós, nem nossas filhas e talvez nem mesmo nossas netas viverão em um mundo em que homens e mulheres recebam o mesmo salário.

No mercado de tecnologia, a realidade não é diferente. Segundo uma pesquisa da Catho, a diferença salarial média entre homens e mulheres na área supera os 20%. Além disso, o abismo pode se ampliar dependendo do cargo ocupado, sendo menos comum a chegada de trabalhadoras a postos de chefia.

A diretora-geral do PayPal no Brasil, Paula Paschoal, venceu as barreiras de um mercado ainda muito machista e chegou ao cargo mais alto no país de uma das maiores empresas de internet do mundo. Hoje, ela é voz ativa na luta pela equiparação salarial entre homens e mulheres, e para que sua trajetória de sucesso não seja apenas uma exceção.

Embora sejam maioria na população, a participação das mulheres ainda está abaixo da metade da força de trabalho. No entanto, o número de desempregadas é maior entre elas: 54,1% da população procurando um emprego. Outro dado alarmante é que apenas 37% dos cargos de gerência são ocupados por mulheres. Já em comitês executivos de grandes empresas, apenas um em cada dez postos pertencem a profissionais do sexo feminino. Ou seja, ainda há uma grande barreira em oportunidades de promoção, o que tende a agravar ainda mais a diferença salarial.

A ausência de mulheres em cargos executivos é ainda mais difícil de entender quando observados dados sobre qualificação. Segundos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, o Pnad, 18,8% das profissionais ocupadas com 16 anos ou mais tem ensino superior completo. Entre os homens, o índice é de 11%. Além disso, elas preenchem 60% das vagas em curso de qualificação. Para Paula Paschoal, é preciso promover uma mudança cultural no país.

A diretora-geral do PayPal defende ainda que as empresas precisam sair da zona de conforto de conforto e promover políticas de equiparação salarial, além de contratar mais profissionais do sexo feminino para cargos de gerência. No entanto, a executiva também acredita que é necessário que as mulheres, ainda vítimas da imposição histórica de cuidar do lar e dos filhos, tomem a iniciativa de se candidatar aos postos de liderança sem medo de que isso interfira em sua vida profissional e familiar.

A relação entre a carreira profissional e a maternidade, aliás, ainda é um grande desafio que as trabalhadoras do setor de tecnologia e de outras áreas ainda tem que enfrentar. Há pouco mais de um ano, um pré-candidato à presidência em 2018 afirmou em rede nacional que não empregaria uma mulher com o mesmo salário justamente por causa do direito à licença-maternidade. Para Paula Paschoal, no entanto, ser mãe não só não prejudica o desempenho como também melhora a atuação da profissional como gestora.

Se a diferença salarial entre os gêneros é grande por si só, o abismo aumenta quando observadas questões étnicas. Mulheres negras são o grupo que recebem os menores salários em comparação com os demais. Enquanto a taxa de desocupação feminina em 2015 era de 11,6%, entre as profissionais negras o índice atingia 13,3%. No mesmo período, homens brancos desempregados eram 7,8% e negros eram 8,5%.

Para tentar promover uma ocupação mais igualitária, gigantes de tecnologia como o Google e Facebook têm divulgado relatórios de diversidade. A diretora-geral do PayPal acredita que os exemplos ajudam as empresas a repensarem os seus ambientes e as profissionais a sentirem confiança para buscar cargos mais altos. Além disso, um grupo diverso e com pluralidade nas ideias e pensamentos tende a contribuir para melhores tomadas de decisão.

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