Imóveis abandonados são obstáculos ao combate do Aedes aegypti

Publicado em 21/02/2016, às 20h02

Redação


LEIA TAMBÉM

Apesar de atitudes simples e práticas adotadas todos os dias por grande parte da população para combater o Aedes aegypti, um dos maiores obstáculos ainda são os terrenos abandonados e imóveis fechados que, não raros, se tornam berços para reprodução do mosquito e infecção de mais pessoas com dengue, chikungunya ou zika.

Segundo Paulo Protásio, supervisor de endemias da Sesau, as altas temperaturas e as chuvas favorecem a proliferação do mosquito, já que o ciclo de vida do Aedes dura cerca de 35 a 40 dias.

Portanto, é necessário maior atenção nesses locais, uma vez que o acúmulo de água em calhas, garrafas, pneus, plantas, caixas d’água e tonéis, por vezes mal vedados, podem levar milhares de cidadãos a permanecerem de repouso, afetando a rotina diária de todos os envolvidos direta e indiretamente.  


Por serem muito pequenos, menores que 1 mm, os ovos do Aedes aegypti podem sobreviver, mesmo em ambiente secos, chegando a mais de 450 dias. “Assim que encontra umidade novamente, o ovo volta ao desenvolvimento embrionário em 36 horas após a fecundação e, então, após sete dias, a larva cresce e vira pupa e, dois dias depois, o mosquito está completamente formado e pronto para picar”, explica Protásio. “Quanto maior o recipiente, pior é o risco.”

De acordo com ele, as piscinas tradicionais, usadas com frequência ao longo da semana, não apresentam riscos de serem criadouros do mosquito, pois a água não fica parada, e o cloro existente em produtos sanitários, na concentração de 0,1%, é capaz de impedir o desenvolvimento e eliminar as larvas do mosquito em dez dias. 

Já nas piscinas infláveis, as melhores opções são esvaziá-las e guardá-las após o uso, para não juntar água entre as dobras do plástico. Mas caso esteja cheia, a melhor forma de se prevenir é colocando cloro. Só assim, a larva do mosquito não sobrevive. 

O supervisor de endemias da Sesau exemplifica, ainda, que há outros focos de reprodução frequentemente ignorados e que se tornam um risco maior, são eles: latinhas de alumínio; tampinhas de garrafas; canudos de plástico; brinquedos abandonados; calhas; caixas d’água; vasos sanitários; recipientes para alimentação de cães e gatos; cisternas; poços artesianos e, por fim, as bromélias. “Nesse tipo de planta, o recomendável é utilizar, duas vezes por semana, jatos de água dentro de cada folha para expulsar o que existe ali”, recomenda Protásio. 

O INIMIGO MORA AO LADO

Salomé Tenório, 66 anos, sente-se amedrontada frente à possibilidade de contrair a dengue pela terceira vez. “A todo o momento eu fico apreensiva porque o surto epidemiológico que o Brasil vem enfrentando nos últimos meses é intimidador”, disse. “Tive febre alta, dor de cabeça, atrás dos olhos e no corpo”, contou.


Há cinco anos, o prédio abandonado que fica ao lado do condomínio da dona de casa se tornou potencial criadouro do mosquito Aedes. A água acumulada nos entulhos tem causado incômodo para a moradora e os seus vizinhos. Segundo eles, o local serve de moradia para famílias sem-teto. Em menos de um ano, Tenório contraiu a dengue duas vezes e a febre chikungunya uma vez. 

No apartamento que ela divide com os dois filhos e a neta, na rua Vereador Mironildes Vieira Peixoto, em Mangabeiras, Salomé passou a adotar medidas contra o vetor transmissor da doença, como manter o box e os azulejos do banheiro secos, a tampa do vaso sanitário sempre fechada e o esvaziamento de tudo quanto é recipiente que enche d’água, além de usar repelentes.

Já na casa de Fátima Morais, a preocupação com o mosquito Aedes é permanente. Nos vasos das plantas, a terra é colocada até a borda para evitar que a água fique parada. Na cozinha, explica ela, os reservatórios são limpos toda a semana. “A preocupação aqui em casa é constante. Estamos vivendo numa epidemia. Se cada um fizer a sua parte, a gente chega a algum lugar”, acredita a dona de casa. 

Para Morais, a ocorrência de epidemias devido à infestação do mosquito em todo país é provocada pelo receio de as pessoas não abrirem suas residências para que os agentes endêmicos realizem seu trabalho de forma efetiva. “Em todas as visitas eu os deixo entrar. É importantíssimo. A população é a grande culpada por tudo que está acontecendo. Conscientização é o melhor caminho para uma sociedade que quer crescer”, desabafa ela, que procura alertar o filho e toda a família sobre os perigos do Aedes

CUIDADOS – Celso Tavares, infectologista da Sesau, orienta que aos primeiros sintomas da dengue, da febre chikungunya e do vírus Zika, como febre, dor de cabeça, dores nas articulações, manchas na pele e no fundo dos olhos, as pessoas devem procurar o serviço de saúde mais próximo e não se automedicar. “Quem usa remédio por conta própria pode agravar sintomas e dificultar o diagnóstico”, alerta.


Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Usar palito de dente parece inofensivo, mas pode prejudicar a gengiva; entenda Vagas abertas - Fisioterapia em piscina aquecida oferece benefícios à comunidade de forma gratuita na Estácio Vítimas de picada de cobra podem sofrer AVC mesmo após receber soro AGU derruba 18 grupos no Telegram após descoberta de esquema com documentos falsos