Indústria, construção civil e prefeitos rejeitam MP que eleva a arrecadação

Publicado em 30/12/2023, às 07h37
Agência Brasil -

Estadão Conteúdo

A publicação da medida provisória (MP) que reonera a folha de pagamento para 17 setores que mais empregam no País provocou críticas e protestos de pesos-pesados do setor produtivo e de prefeitos. A decisão, no último dia útil do ano, pode afetar o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) e aumentar o desemprego, conforme entidades de classe. Além disso, segundo representantes de associações de classe, contraria e desrespeita o Congresso, que havia prorrogado a desoneração até 2027.

A MP foi anunciada na quinta-feira pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e publicada ontem no Diário Oficial da União. São três medidas que, segundo o ministro, irão manter o Orçamento de 2024 equilibrado. Além da reoneração gradual da folha de pagamentos, a MP prevê a limitação das compensações tributárias decorrentes de decisões judiciais e a retomada da tributação sobre o setor de eventos.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) chamou a MP de "equívoco" ao reformar, sem diálogo prévio com o setor produtivo, uma lei promulgada pelo Congresso. "Este caminho para buscar o equilíbrio das contas públicas é absolutamente inapropriado tanto pela forma quanto pelo desrespeito à autonomia legislativa", disse a entidade em nota. "A questão deveria estar pacificada, pois decorre de lei que o Executivo vetou e o Congresso derrubou o veto."

Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), é "lamentável" que, para atingir a meta de zerar o déficit das contas públicas, o governo onere o setor produtivo e não torne os gastos públicos mais eficientes. "A reoneração, ainda que gradual, da folha de pagamentos por MP coloca em risco milhares de empregos. Diversos estudos demonstram que a política pública de desoneração da folha contribuiu para o aumento no PIB, no emprego e nas exportações", disse a entidade.

Para o Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), o anúncio da MP no mesmo dia da promulgação da lei que estendeu até 2027 a desoneração desrespeitou o Legislativo. A entidade disse que a medida vai afetar o próprio governo federal nas obras públicas de infraestrutura e habitação - no Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Para a Confederação Nacional de Municípios (CNM), "a MP retira uma importante conquista, que representaria economia de R$ 11 bilhões ao ano para os orçamentos municipais".

Ontem, o presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse que a MP causou "estranheza" e vai analisar o teor legal da medida.

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, minimizou as reações. "É natural que tanto setores quanto parlamentares se posicionem", disse Padilha à CNN Brasil.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

LEIA TAMBÉM

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Empresas têm até este sábado para enviar dados salariais por gêneros Receita paga lote da malha fina do Imposto de Renda de fevereiro IR 2026: Quais tipos de câncer dão direito a isenção? 13º salário do INSS 2026 deve ser pago em abril e maio, veja datas