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Foram muitos anos de silêncio. Agora, Lurata Lyon tomou coragem para contar o drama que ela viveu quando ainda era adolescente.
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Aos 17 anos, Lurata fugiu da sua cidade natal, Veliki Trnovac (Sérvia) para escapar da violência extrema na Iugoslávia, que estava se esfacelando, durante a década de 1990.
Ela embarcou para as montanhas de Kosovo depois que um grupo armado destruiu o seu vilarejo. Porém Lurata acabou nas mãos de uma quadrilha violenta, especializada no tráfico humano.
A sérvia foi levada vendada a um esconderijo. Quando o chefe do grupo ameaçou estuprá-la, Lurata afirmou ser virgem. A informnação fez com que os criminosos tivessem uma ideia bestial: leiloar a virgindade da vítima. Membros da quadrilha afirmaram ter "achado um tesouro".
"Lembro-me deles dizendo: 'Não se preocupe, nós a vendemos para o maior lance' e 'Desista, você não vai sobreviver a isso. Depois que ele terminar com você, vamos colocá-la na prostituição e depois venderemos seus órgãos'.", contou a mulher de 45 anos ao "Sun".
Lurata disse ter testemunhado várias mulheres sequestradas pela quadrilha serem vítimas de violências sexual antes de "desaparecerem".
A ideia era levar Lurata até a Albânia, mas a fronteira estava fechada. A adolescente acabou retornando a uma propriedade do chefe da quadrilha, que lhe fez uma proposta: "Se você se entregar a mim e se tornar minha amante, tudo isso vai acabar."
Lurata negou a oferta. O criminoso então afirmou a seus subordinados que "fizessem o que quisessem" com a vítima. A sérvia implorou ao primeiro que se aproximou dela "para ser gentil".
Quando o homem foi ao banheiro, Lurata se aproveitou para escapar.
"Foi como um filme, não consigo descrever o quão freneticamente eu corria. Eu tropeçava em alguns degraus. Desci as escadas voando. Mas quando cheguei ao nível da rua, senti ele logo atrás de mim. Ele me deu um soco no rosto. Foi tão forte que eu voei para o outro lado da rua. No chão, avistei uma van por perto e comecei a gritar por socorro", relatou ela.
A cena chamou a atenção de um policial, que veio ao socorro de Lurata.
Sem ter para onde ir, ela retornou à sua cidade natal, onde as coisas tinham "piorado muito". Lurata acabou capturada por paramilitares, que abusavam dela quase diariamente. Foi quando o pai conseguiu subornar um dos guardas e levar a filha para casa "para uma despedida", segundo ele alegou. Mas, na verdade, o pai tinha outros planos.
Lurata foi posta no baú de um caminhão e trasnportada pela fronteira. Em alguns dias, ela chegou ao Reino Unido, conseguindo asilo imediato e, anos depois, a cidadania britânica, em 2005.
A jovem foi então capturada novamente por "justiceiros desequilibrados" da cidade, que se faziam passar por membros do exército nacional e a espancaram.
Ela passou seis meses em uma "masmorra" abandonada, onde era abusada diariamente e afirmava que só queria morrer. Contudo, um milagre aconteceu quando seu pai, um médico local, conseguiu encontrá-la e subornou os guardas para que lhe permitissem voltar para casa por 24 horas para uma despedida final, mas ele tinha outros planos.
"Meu trauma sempre existirá, é algo que você nunca consegue esquecer. Mas estou feliz, grata e me sinto sortuda por ter sobrevivido e tenho orgulho de tudo o que conquistei", finalizou Lurata, que se tornou escritora, radialista e influencer.
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