CNN Brasil
O influenciador Samuel Sant’anna, Gato Preto, foi denunciado por duas tentativas de homicídio na forma dolosa, ameaça e infrações a três artigos do Código de Trânsito Brasileiro. A denúncia foi apresentada pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo).
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Gato Preto dirigia um automóvel de alto padrão no dia 20 de agosto do ano passado, quando colidiu com outro automóvel que estava ocupado por um pai e um filho. Na ocasião, ele não prestou socorro às vítimas e fugiu do local.
O promotor do caso Lucas de Mello Schaefer aponta na denúncia do MP que o influenciador ingeriu bebida alcoólica e drogas em uma casa noturna e assumiu a direção do carro, trafegando em alta velocidade e avançando o sinal vermelho antes de atingir lateralmente o veículo das vítimas.
Ainda segundo o documento, após a colisão, além de não prestar socorro, o denunciado ameaçou uma das vítimas. Momentos seguintes, ele deixou o local para evitar responsabilização penal e civil.
O Ministério Público aponta que a conduta de Samuel foi marcada pelo risco consciente de produzir o resultado morte, ampliado pelo estado de alteração causado pelas substâncias, pela velocidade e pelo desrespeito à sinalização.
Segundo o documento, o MPSP pede que Gato Preto pague mais de R$260 mil em indenizações. Sendo, R$100 mil por danos morais para Ivan Bartalot Pereira Maiorano, R$75 mil por danos morais e R$18.186,60 por danos materiais para Edilson Maiorano e R$75 mil em danos morais coletivos.
A promotoria ainda pediu a suspensão cautelar de sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação).
A denúncia ainda inclui a omissão de socorro e a tentativa de dificultar a apuração dos fatos, com a retirada de objetos do veículo e a fuga do local.
O promotor também propôs uma transação penal à influenciadora Anna Beatryz Ferracini Ribeiro, ou Bia Miranda, então namorada do denunciado, que estava com ele no automóvel e também não socorro. A proposta indica também o pagamento de R$ 150 mil, valor dividido entre as vítimas e uma entidade beneficente.
A medida indicada à Bia abrange a ideia de que os crimes imputados a ela não envolvem violência ou grave ameaça e se enquadram nos requisitos legais previstos para esse tipo de acordo.
O segurança de Gato Preto, Felipe Junior da Silva Souza, que acompanhava o casal em outro carro, também fugiu do local sem prestar socorro e alterou a cena do crime, segundo o MP. A denúncia indica que ele deve realizar a reparação de danos no valor de R$ 10 mil às vítimas e o cumprimento de medidas alternativas, como prestação de serviços à comunidade ou pagamento adicional a entidade assistencial.
No entanto, ainda é necessária a confissão dos fatos e a homologação judicial, sendo que, em caso de recusa, o Ministério Público poderá aditar a denúncia para incluí-lo como réu.
Relembre o caso
A Polícia Militar de São Paulo prendeu o influenciador Samuel Sant'Anna, conhecido como Gato Preto, em 20 de agosto de 2025, após ele se envolver em um acidente na Avenida Faria Lima, na Zona Oeste de São Paulo.
Ele foi preso em seu apartamento, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Samuel foi levado para o 14º DP, em Pinheiros, na Zona Oeste da capital.
Bia Miranda e Gato Preto se envolveram em um acidente, após voltarem de uma balada em São Paulo. A dupla bateu o carro de luxo, uma Porsche, em um poste e em outro veícuo na Faria Lima.
Imagens mostram o momento em que os influenciadores saem do veículo, que está destruído. No vídeo, é possível ver que um farol foi atingido e quase derrubado. Segundo registro policial, outro veículo também foi atingido na batida. Após o acidente, Gato Preto afirmou nos stories que "perdeu R$ 1,5 milhão".
De acordo com a Polícia Militar, que foi acionada no local, uma das vítimas do acidente, que estaria no veículo atingido, foi socorrida e encaminhada ao Pronto-Socorro Alvorada. O caso foi registrado no 15º Distrito Policial (Itaim Bibi).
Posição da defesa do Gato Preto
A defesa do influenciador, composta pelos advogados Jonatha Carvalho, André Nino e Daniele Vieira, apresentou solidariedade às vítimas, lamentou o ocorrido, mas ressaltou que a a repercussão não pode ter um julgamento antecipado. "A grande repercussão midiática de um caso não pode resultar em um julgamento antecipado, que compromete a análise isenta e técnica dos fatos", anunciou a nota divulgada.
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