Influenciadoras suspeitas de promover facção são indiciadas pela polícia

Publicado em 04/07/2025, às 17h15
- Reprodução

CNN Brasil

A Polícia Civil do Piauí indiciou, na última quinta-feira (3), 19 pessoas por apologia ao crime e participação em organização criminosa. O grupo é composto, em sua maioria, por influenciadores que utilizavam seus perfis nas redes sociais para falar de tráfico de drogas, violência armada e criminalidade.

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A ação, denominada “Operação Faixa Rosa”, foi deflagrada no dia 30 de abril com o objetivo de desarticular um núcleo criminoso formado por influenciadores.

De acordo com as investigações, a operação teve início com o cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão. Com as novas diligências e análises técnicas, as prisões foram convertidas em preventivas pela Justiça.

Do total de indiciados, 18 permanecem presos e um está foragido.

O material recolhido pelas autoridades revela o uso das redes sociais para o compartilhamento de imagens de armas, ostentação de drogas, incitação à violência e organização de ataques contra rivais.

“Os trechos demonstram com clareza não apenas a estrutura de comando e disciplina dentro da organização, mas também a tentativa de doutrinação criminosa, com uso explícito de códigos internos e linguagem própria da facção”, explicou o coordenador do DRACO, delegado Charles Pessoa.

Além disso, segundo o delegado, este não é um caso isolado.

“Influenciadoras com grande alcance digital vêm utilizando as plataformas como vitrines do crime, promovendo uma estética violenta, banalizando a criminalidade e incentivando a adesão de jovens ao tráfico de drogas, às organizações criminosas e ao confronto armado com o Estado. A repressão a esse tipo de conduta vai além do aspecto criminal, é uma forma de proteger a juventude e preservar a integridade moral da sociedade”, pontuou.

Material recolhido
A investigação descobriu áudios trocados entre os investigados, nos quais eles tratam de forma explícita ações criminosas. 

Em uma das gravações, uma das investigadas questiona: “Cadê, tu fez foi o reels dele? Manda aí.” Enquanto outra responde: “Aí, só na maldade ele botou o endereço, ainda mostrou o jeito da casa... é mamão com açúcar pra derrubar todos os três.”

Outro trecho mostra uma das envolvidas falando sobre a entrada de novas pessoas na facção: “Se ela quiser também, todo mundo dá uma forcinha… pra nossa irmã tá aprendendo com nós… aprendendo a ética do crime.”

Por fim, foram apreendidos cadastros internos da facção, nos quais os integrantes eram registrados com nome verdadeiro, apelido, comunidade de origem e atuação, referências hierárquicas e data de entrada.


 

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