INSS demite servidor que se pintou de negro para disputar vaga por cota

Publicado em 10/06/2019, às 10h48
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Folha Dirigida

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) demitiu o servidor Lucas Soares Fontes após descobrir que ele burlou etapas do concurso público realizado em 2015.

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Lucas Fontes, branco e de olhos verdes, se candidatou a uma vaga destinada à pessoa negra ou parda. Quando precisou enviar uma fotografia para comprovar sua cor, remeteu ao Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) uma foto em que aparece pintado de negro e com lente de contato escura.

De acordo com o processo administrativo instaurado no INSS para apurar o caso, a responsabilidade pela conferência dos candidatos que disputaram cargos por meio de cotas era do Cebraspe. Ao órgão federal, a organizadora explicou que a verificação foi realizada por meio de foto porque era uma forma estabelecida no edital do concurso.

A fotografia encaminhada por Lucas Fontes foi repassada pela banca ao INSS, onde a Coordenação de Desenvolvimento de Carreiras observou que havia uma tonalidade branca na parte inferior do braço do candidato.

O caso foi levado também ao setor de posse do agora ex-servidor. O departamento de Gestão de Pessoas de Juiz de Fora, em Minas Gerais, local onde Lucas foi empossado, informou que houve a constatação de que a pessoa da foto era diferente da que se apresentou, mas deu posse em observância ao resultado final do concurso público.

Após detectar o erro, a autarquia federal solicitou ao Cebraspe que realizasse a verificação de Lucas Fontes presencialmente, mas a ideia foi rejeitada porque o procedimento não estava previsto no contrato firmado para realização do concurso.

Segundo o site O Antagonista, o processo administrativo foi aberto após determinação do superintendente do INSS no Sudeste, Paulo Eduardo Cirino.

A exclusão do candidato do concurso público foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) no último dia 30 de maio após a conclusão do procedimento administrativo na autarquia. "Em razão da exclusão, os candidatos à ampla concorrência, classificados a partir da 17ª (décima sétima) posição, passam a ter sua classificação alterada mediante a exclusão de uma unidade, e os candidatos considerados negros, classificados a partir da 2ª (segunda) posição, passam a ter sua classificação alterada mediante a exclusão de uma unidade", diz um trecho do edital de eliminação de Lucas Fontes.

O ex-técnico do seguro social teve assegurado o seu direito à ampla defesa. Ao INSS, apresentou documentos que apontavam sua autodeclaração como negro. No entanto, a versão não foi acatada, uma vez que o Cebraspe considera o fenótipo do candidato:

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