Integrantes de organizada são condenados a mais de 33 anos por tentar matar torcedores do CRB

Publicado em 20/03/2026, às 07h55
- Divulgação/MP

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Jozedaque Jecteel Português da Silva, conhecido como “Tchê”, e Thiago Alves Lyra Santo, o “Bocão”, integrantes da torcida organizada Mancha Azul, do Centro Sportivo Alagoano (CSA), foram condenados a 33 anos e cinco meses de prisão, cada um, por tentativa de homicídio contra Symei Araújo e Michael Douglas, ligados à torcida rival alvirrubra, do Clube de Regatas Brasil (CRB). O julgamento ocorreu nessa quinta-feira (19), no Fórum do Barro Duro, em Maceió.

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O caso ocorreu em 2 de agosto de 2023. As duas vítimas e mais dois amigos estavam na frente de casa, quando dois veículos estacionaram e seus ocupantes, integrantes da torcida Mancha Azul, saíram com porretes revestidos de prego, tacos de beisebol, e começaram a desferir golpes. Dois conseguiram fugir, mas Simey e Michael foram alcançados.

Durante o julgamento, foram ouvidas as vítimas, a irmã e um primo de Symei que afirmou ter se deparado com “bocão” quando ia prestar socorro. Durante todo o julgamento, os réus entraram em contradição, tendo as falas sido desfeitas pela promotora de Justiça ao apresentar os depoimentos prestados por eles na delegacia. 

Thiago Lyra, por exemplo, tinha afirmado que no carro havia porretes, que o veículo pertencia a Jozedaque Silva. Já nessa quinta, disse não saber a quem pertencia, pois “as pessoas costumam deixar os carros lá na sede e a gente não sabe de quem é, aí deixam as chaves e quem chega pega o carro e sai”. Enquanto Jozedaque afirmou não ter carro e possuir moto, pois trabalhava como motorista de aplicativo mesmo informando não possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

A defesa de Thiago utilizou como testemunha uma tia dele, idosa, que informou estar com o réu no dia e horário do fato, porque o mesmo se recuperava de uma tentativa de assalto, em que foi baleado e estava sem movimento no braço. 

No entanto, um laudo feito dois dias após as tentativas de homicídio comprovam que “bocão” não apresentava nenhuma lesão. A promotora usou o telão para apresentar vídeo dos envolvidos no momento anterior as agressões, com gritos de guerra e porretes nas mãos. Ela também mostrou, com autorização de uma das vítimas, imagens dela caída, despida e com o crânio espatifado. 

“Eles não quiseram somente matar o Symei, quiseram desmoralizar e ferir sua dignidade, várias pessoas viram, mas têm medo dos atos cruéis e brutais que eles praticam contra as suas vítimas. Eles desnudaram o Symei, filmaram, furtaram seus pertences e compartilharam, como troféu, nos grupos da torcida organizada”, disse Adilza de Freitas nos debates. 

Já a defesa de Jozedaque levou para o salão do júri um amigo do seu pai, diácono da igreja, que relatou ter o réu crescido no evangelho e conhecê-lo desde criança. Porém, quando a promotora exibiu um video dos cinco denunciados com algazarra dentro de um carro, perguntou se reconhecia algum deles e disse que não, embora “tchê” estivesse no grupo.

Tensão durante júri

Segundo a assessoria do Ministério Público, o julgamento ocorreu sob clima tenso com integrantes das duas torcidas se provocando com olhares, ao ponto de o juiz Geraldo Amorim determinar a retirada de todos. Alguns ousaram ir ao julgamento com as camisas do CRB e da organizada, tendo que trocar por outras.

Dilza de Freitas evidenciou o medo que impera quando as pessoas precisam depor acusando integrantes das torcidas organizadas. “Quando pedimos a condenação de quem tentou matar, estamos falando em defesa da vida. Várias pessoas viram, mas eles são brutais, e elas têm medo, pois semprem agem em bando e demore feequentan ”.

A promotora de Justiça avalia o resultado do júri como o fazimento de justiça, resposta à sociedade e a quem tem como hobbie cometer crimes.

“Vimos uma vítima, jovem, com sequelas graves, viva por um milagre, com o rosto todo deformado e afirmando que ainda tem medo. O Symei não conseguiu lembrar de quem o espancou, pois sua memória ficou comprometida com a perda de massa encefálica. Ele é um jovem que teve a vida destruída, porque é dependente para muitas coisas, que se olha no espelho e não se reconhece e que teve todos os sonhos atropelados pela violência. Mostramos ao conselho de sentença todos os detalhes, ele entendeu a responsabilidade que estava em suas mãos, a de mostrar que a sociedade não pode fechar os olhos para barbáries. E assim, em defesa da vida, a justiça foi feita”, conclui.

 

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