Isenção de visto a chineses também não tem prazo para sair, diz Eduardo Bolsonaro

Publicado em 26/01/2020, às 09h26
Reprodução/Ilustração -

Folhapress

O deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou que a isenção de visto tanto para indianos quanto para chineses entrarem no Brasil ainda está em estudo e não há prazo para ser concretizada.

LEIA TAMBÉM

A declaração diverge de anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro em visita à China, em outubro, quando o líder brasileiro prometeu dispensar os cidadãos dos dois países de visto.

"Tanto a isenção de visto para China como para a Índia estão sendo trabalhadas, está sendo feito um estudo mais detalhado pelo Itamaraty", disse Eduardo, que integra a comitiva do presidente em visita à Índia. "A expectativa é que a isenção saia, mas não há um prazo para isso."

Os chineses, assim como os indianos, estavam ansiosos com a perspectiva de receber isenção de vistos para entrar no Brasil. A expectativa dos governos se baseia em promessas do próprio Bolsonaro.

Os indianos pressionaram até o último minuto para que o presidente brasileiro anunciasse a medida durante a visita a Déli, mas a declaração final da visita mencionou apenas um mecanismo de facilitação para isenção de visto.

O nível de recusa de vistos brasileiros para indianos é alto, porque se trata de uma nacionalidade com forte propensão a emigrar. A diáspora indiana no mundo soma 31 milhões de pessoas –no entanto, apenas 5.000 indianos vivem no Brasil.

Nos EUA, por exemplo, 27,75% dos pedidos de visto de indianos foram recusados em 2019, diante de 18,5% referente a brasileiros. Isso se dá, principalmente, porque a comunidade indiana nos EUA é grande, e há receio de que, ao chegarem ao país com visto de turistas, indianos permaneçam no país com parentes, morando ilegalmente.

Além disso, para a Polícia Federal do Brasil, as tensões na região, com alto índice de terrorismo no Paquistão e Sri Lanka, são outro entrave para a isenção. O Brasil nem sequer tem um adido do órgão na Índia.

"Por causa das características culturais do povo, da língua e da diferença natural com o Brasil, sabemos que o indiano dificilmente vai entrar como turista e depois ficar ilegal no país", disse Eduardo. "Mas tudo tem que ser estudado."

Na semana em que o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, estampa a capa da revista britânica The Economist, com o título "Índia intolerante: como Modi está colocando em perigo a maior democracia do mundo", Bolsonaro, segundo o deputado, elogiou o líder hindu pela "liberdade religiosa" na Índia.

"O presidente elogiou a liberdade religiosa presente na Índia, disse que se sentiu confortável aqui, apesar de não ser um país de maioria cristã. Ele se sentiu muito bem acolhido, visitou um templo [hindu]", disse Eduardo.

Os dois líderes se reuniram neste sábado (25) e anunciaram 15 acordos bilaterais.

Segundo o parlamentar, Bolsonaro não discutiu com Modi temas controversos, como a situação da Caxemira e dos muçulmanos no país.

O premiê tem sido muito criticado por adotar medidas que, segundo críticos, privilegiam a maioria hindu do país e prejudicam muçulmanos.

A aprovação da nova Lei de Cidadania –que facilita a obtenção de cidadania para imigrantes de Paquistão, Bangladesh e Afeganistão, desde que não sejam muçulmanos– é vista como a mais recente medida da ofensiva fundamentalista hindu do primeiro-ministro.

Em agosto, Modi revogou a autonomia constitucional da Caxemira, única região de maioria muçulmana na Índia, o que fez com que, nas últimas semanas, dezenas de milhares de indianos fossem às ruas protestar contra o que consideram uma ruptura da democracia secular indiana.

Eduardo vê muitas semelhanças entre o presidente Bolsonaro e o premiê indiano e afirma que os dois "têm muita química".

"Eles estão se entrosando muito bem, são duas pessoas notoriamente nacionalistas, defendem seus países, são avessos a alguns foros internacionais", diz.

Ele cita que ambos os líderes foram atacados pelo bilionário George Soros, que anunciou nesta semana o investimento de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 4,2 bilhões) na criação de uma rede acadêmica para lutar contra os "ditadores de agora e em gestação" e as mudanças climáticas.

Soros criticou a atuação de Bolsonaro na área ambiental e acusou os governos de China, Rússia e Índia de autoritários.

"No final das contas, sabemos que Soros prega muito o combate aos valores judaico-cristãos, à sociedade ocidental, é a favor de aborto, de países sem fronteiras e apoia muito as ONGs internacionais", afirmou o deputado.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Mais dez policiais são denunciados por crimes na Operação Contenção Família catarinense tem sete netos bilionários, herdeiros da WEG, na lista da Forbes Moraes pede ao Itamaraty informações sobre agenda de assessor de Trump Dentista é indiciado por estuprar 10 crianças e adolescentes no PR