Ivete critica decreto de Temer que extingue reserva ambiental: "É um patrimônio nosso"

Publicado em 26/08/2017, às 23h30

Redação

A cantora Ivete Sangalo criticou na noite de sexta-feira (26), durante coletiva no Festival de Inverno Bahia (FIB) de Vitória da Conquista na Bahia, a decisão do presidente Michel Temer em extinguir a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca). Ao ser questioanda sobre o assunto ela se mostrou indignada. “Eu tenho indignação por muitas coisas, mas tem determinadas ações que a gente não pode voltar atrás, não são reversíveis. Então, chega uma hora que a gente não aguenta, e dá aquele grito", desabafou a artista. 

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Horas antes de subir no palco do FIB a cantora já havia comentado a decisão do presidente através de sua rede social. "Quanta notícia difícil de aceitar. Brincando com o nosso patrimônio? Que grande absurdo. Tem que ter um basta", postou Ivete. 

Entenda a polêmica

Uma área de 47 mil quilômetros quadrados na Amazônia, rica em cobre e outros minerais, poderá, a partir de agora, ser explorada pela iniciativa privada. O presidente Michel Temer editou decreto que extingue a Reserva Nacional de Cobre e Associadas, uma área equivalente ao Espírito Santo, localizada entre os Estados do Pará e do Amapá, e que havia sido instituída em 1984.

Segundo o texto do decreto, a extinção da reserva “não afasta a aplicação de legislação específica sobre proteção da vegetação nativa, unidades de conservação da natureza, terras indígenas e áreas em faixa de fronteira”.

De acordo com o diretor executivo da ONG WWF-Brasil, Maurício Voivodic, a medida pode colocar em risco áreas protegidas, podendo provocar impactos irreversíveis ao meio ambiente e povos da região. “Além da exploração demográfica, desmatamento, perda da biodiversidade e comprometimento dos recursos hídricos, haverá acirramento dos conflitos fundiários e ameaça a povos indígenas e populações tradicionais”, disse, em texto publicado no site da instituição.

A reserva do cobre foi criada por meio de um decreto publicado em 24 de fevereiro de 1984. Numa canetada, o presidente militar João Figueiredo esquadrinhou uma área de mata fechada com oito vezes a dimensão do Distrito Federal. O plano dos militares era explorar, por meio de uma estatal, grandes jazidas de cobre encontradas na região, mineral extremamente valorizado à época por conta das atividades do setor elétrico. Ocorre que esse plano nunca saiu do papel. Passados 33 anos desde a criação da reserva, o que de fato se criou sobre essas terras foram delimitações de sete florestas protegidas e duas terras indígenas, cobrindo praticamente 80% de toda a área.

A área engloba nove áreas protegidas: o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, as Florestas Estaduais do Paru e do Amapá, a Reserva Biológica de Maicuru, a Estação Ecológica do Jari, a Reserva Extrativista Rio Cajari, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru e as Terras Indígenas Waiãpi e Rio Paru d’Este. De todas essas unidades e terras indígenas, apenas uma pequena parcela da Floresta Estadual Paru prevê atividades de mineração.

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