Jejum intermitente não emagrece mais que dieta tradicional, aponta estudo

Publicado em 18/02/2026, às 22h37
- Assessoria

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O jejum intermitente, que ganhou fama como estratégia rápida de emagrecimento, não apresenta vantagem significativa sobre dietas convencionais. A conclusão é de uma nova revisão publicada na Cochrane Library, que analisou as principais evidências disponíveis sobre o tema.

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O que aconteceu

Estudo reuniu dados de 22 ensaios clínicos randomizados com 1.995 adultos acompanhados por até 12 meses em países da América do Norte, Europa, China, Austrália e América do Sul. Foram avaliadas diferentes abordagens, como jejum em dias alternados, dieta 5:2 e alimentação com restrição de horário. Os estudos analisados foram publicados entre 2016 e 2024.

Comparado à orientação alimentar regular, o jejum intermitente pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na perda de peso ou na qualidade de vida.

Autores da revisão

Na prática, restringir horários ou dias de alimentação não levou a resultados superiores aos obtidos com orientação nutricional tradicional. A perda média de peso ficou em torno de 3% do peso corporal, abaixo dos 5% considerados clinicamente relevantes por médicos. O estudo afirma que as abordagens "não diferiram em alcançar perda de peso, não produzindo mudanças clinicamente significativas na maioria dos desfechos considerados nesta revisão".

"Não é solução milagrosa", diz autor

O autor principal da pesquisa, Luis Garegnani, reforçou o tom cauteloso ao comentar os resultados. "O jejum intermitente simplesmente não parece funcionar para adultos com sobrepeso ou obesidade que tentam perder peso", diz o cientista, em nota da Cochrane Library.

"Pode ser uma opção razoável para algumas pessoas, mas as evidências atuais não justificam o entusiasmo que vemos nas redes sociais", disse Luis Garegnani, em nota.

Ele explica que o jejum intermitente não é uma solução milagrosa, mas pode ser uma opção entre várias para o controle do peso. "[A prática] provavelmente produz resultados semelhantes às abordagens dietéticas tradicionais para perda de peso. Não parece claramente melhor, mas também não é pior", afirmou Garegnani ao The Guardian.

A revisão aponta limitações importantes na qualidade dos estudos analisados. Em relação a efeitos adversos, os autores escreveram que "o jejum intermitente pode resultar em pouca ou nenhuma diferença em eventos adversos, mas a evidência é muito incerta."

Além disso, nenhum dos estudos incluídos avaliou satisfação dos participantes, status de diabetes ou medidas gerais de comorbidades. Segundo os pesquisadores, o relato de efeitos colaterais foi inconsistente entre os ensaios, o que dificulta conclusões mais firmes sobre segurança.

Falta de dados de longo prazo

Outro ponto destacado é a limitação temporal das pesquisas. Todos os estudos analisaram efeitos de curto prazo, de até um ano. Os autores observam que a obesidade é uma condição crônica e que esse recorte dificulta orientar decisões terapêuticas de longo prazo para pacientes e médicos.

A pesquisadora Eva Madrid também enfatizou a necessidade de cautela. "Com as evidências atuais disponíveis, é difícil fazer uma recomendação geral. Os médicos precisarão adotar uma abordagem caso a caso ao orientar um adulto com sobrepeso sobre perda de peso", ressaltou ela, na nota da plataforma.

O professor Maik Pietzner, do Instituto de Saúde de Berlim na Charité, reafirma a falta de comprovação científica. "Se as pessoas se sentem melhor com esses regimes alimentares, eu não as impediria, mas este trabalho, juntamente com outros na área, mostra claramente que não há evidência robusta de efeitos positivos além de uma possível perda de peso moderada", disse ele ao The Guardian.

"Nossos corpos evoluíram sob constante escassez de alimentos e conseguem lidar muito bem com períodos prolongados sem comida, mas isso não significa que tenhamos melhor desempenho quando esses programas evolutivamente conservados são ativados", explicou Maik Pietzner, do Instituto de Saúde de Berlim na Charité.

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