JHC promete a Lula que não concorrerá nem ao governo nem ao Senado, diz site

Publicado em 10/07/2025, às 14h13
- Itawi Albuquerque/Folhapress

Raphael Di Cunto e Catia Seabra / Folhapress

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC, prometeu ao governo Lula (PT) que não concorrerá ao Senado ou ao Governo de Alagoas em 2026 e que concluirá o mandato na prefeitura. JHC é filiado ao PL.

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Em troca, o petista deve nomear a tia dele, a procuradora de Justiça de Alagoas Maria Marluce Caldas Bezerra, para uma vaga no STJ (Superior Tribunal de Justiça).


A permanência na prefeitura desinterdita o caminho para que o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, concorra ao Senado Federal. O parlamentar é relator do projeto que aumenta a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 por mês.


A proposta é uma das apostas do presidente para a campanha de reeleição no próximo ano.
O governo temia que, se JHC atrapalhasse os planos de Lira, ele poderia dificultar a aprovação do projeto ou desfigurá-lo.


No mês passado, Lula recebeu o deputado no Palácio da Alvorada para informar sobre a preferência por Marluce e ouviu um apelo para que esperasse mais tempo antes da nomeação, para que ele pudesse resolver a política local.


JHC tinha um compromisso com Lira de que deixaria a prefeitura em abril de 2026 para se candidatar ao governo, dando palanque ao ex-presidente na Câmara na disputa para o Senado. O atual governador, Paulo Dantas (MDB), não pode disputar a reeleição, e o prefeito da capital era apontado como um dos nomes mais fortes para o cargo.


No entanto o prefeito passou a se aproximar de Lula em troca da nomeação de Marluce, que é sua tia, para a vaga de ministra do STJ. Ela está há nove meses na lista tríplice para a cadeira do Ministério Público na Corte, junto com os procuradores Sammy Barbosa Lopes e Carlos Frederico Santos.


A negociação para que o prefeito se alie a Lula envolve o apoio ao ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), para o Governo de Alagoas. Nesse cenário, JHC deixaria o cargo para concorrer ao Senado na chapa do MDB junto com o senador Renan Calheiros (MDB), que concorrerá à reeleição. Isso, porém, deixaria Lira sem espaço.


Em 2026, serão eleitos dois senadores por estado. Além de Renan Calheiros, estará em disputa a cadeira da mãe de JHC, Eunice Caldas (PL), que assumiu como senadora no lugar de Rodrigo Cunha (Podemos), hoje vice-prefeito de Maceió.


À Folha o senador Renan disse que não tratou da desistência da candidatura com JHC.


"Se ele deixar a prefeitura será meu candidato ao Senado. São duas vagas. Não somos nós que queremos impedir a candidatura dele ao Senado", afirmou o emedebista, que tem se manifestado contra qualquer possibilidade de aliança com Lira.


JHC teria prometido a Lula e a Lira desistir de qualquer candidatura em 2026, em troca da nomeação da tia, segundo duas pessoas envolvidas com o tema. A reportagem o procurou diretamente e por meio de sua assessoria, mas ele não comentou até a publicação desta reportagem.


Há, no entanto, desconfiança no acordo, tanto entre aliados do prefeito quanto para adversários. Dizem que os termos não estão muito claros e que ele já descumpriu outros compromissos anteriormente.


Além disso, comentam que o nome dele continua forte para o governo e que, após a nomeação da tia, nada o impediria de mudar a estratégia até abril e sair candidato.
Para o presidente, a aproximação com JHC é um importante ativo para a campanha eleitoral.


O prefeito se filiou ao PL para disputar a reeleição e se tornou um dos principais líderes da direita no Nordeste. Alagoas foi o único estado da região em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) venceu Lula. Se concretizada a aliança, ele deve voltar ao PSB.


Outro fator a favor da negociação é destravar a discussão sobre o projeto do Imposto de Renda. Lira deve apresentar seu parecer até a próxima segunda-feira (14).


A expectativa, entre os governistas, é a de que seja possível votar a proposta na comissão especial ainda antes do recesso parlamentar, que começará em 18 de julho, e impulsionar a campanha à reeleição.

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