Juiz cita ‘ousadia absurda’ de delegada que levou namorado do PCC à posse

Publicado em 17/01/2026, às 17h23
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Terra

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Ao decretar a prisão da delegada Layla Lima Ayub, de 36 anos, por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), o juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, citou a “ousadia absurda” e o “deboche” dela ao levar o namorado à sua posse. Ela era recém empossada e foi capturada nesta sexta-feira, 16.  

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A investigação reuniu vários indícios da ligação dela com a facção, como gravações, fotografias e termos de audiência, entre outros elementos, incluindo a presença do companheiro dela, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como ‘Dedel’, na cerimônia de posse. O evento ocorreu em 19 de dezembro de 2025, no Palácio dos Bandeirantes.

“Se o fato já não fosse de extrema gravidade, poucas vezes vistas, causando surpresa até àqueles que laboram na Justiça Criminal há anos, se comprovado, demonstra uma ousadia absurda e um total deboche das autoridades públicas quando um suposto integrante do alto escalão do PCC, com condenações criminais, suspeito de ser responsável por possíveis atentados contra a vida de juízes e outros agentes da Segurança Pública, comparece à cerimônia de posse de sua companheira como Delegada de Polícia do Estado de São Paulo que, novamente, em tese, estaria atuando em conjunto com o crime organizado”, apontou o juiz da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital.

Na decisão de 13 páginas, o magistrado afirma ainda que as provas evelam uma estratégia da facção para influir diretamente nas decisões do Estado, aproximando o País de um narcoestado. Ele ainda pontua que o PCC “arregimentou” a investigada para passar em um concurso público de delegada de Polícia, ou seja, a mando da facção.

Vínculo com o PCC

De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP),  Layla Ayub mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes da facção criminosa, inclusive exercendo irregularmente o cargo de advogada, em audiência de custódia, para presos integrantes de organizações criminosas, após ter tomado posse no cargo de delegada de polícia.

A  Operação Serpens, que prendeu a delegada, foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), junto à Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo e o GAECO do Estado do Pará. 

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e de Marabá, no Pará, expedidos pela 2ª Vara Especializada de Crime Organizado da Capital, bem como dois mandados de prisão temporária em face da delegada de Polícia e de um integrante da facção criminosa PCC, que se encontrava em liberdade condicional.

Ela deve ser indiciada aos seguintes crimes: exercício irregular da profissão, integrar organização criminosa, falsidade ideológica e associação para o tráfico

O Terra pediu posicionamento à Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e tenta contato com a defesa da delegada, mas ainda aguarda retorno.

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