Juiz intima chefe do ICE e critica despreparo do governo Trump durante operação em Minnesota

Publicado em 27/01/2026, às 14h03
No sábado (24), o enfermeiro Alex Pretti, 37, foi morto a tiros enquanto filmava uma operação do ICE em Minnesota - Reprodução / Folha de S Paulo

Manoela Smith / Folhapress

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Um juiz federal de Minnesota, nos Estados Unidos, intimou o chefe do ICE, a agência de imigração americana, a comparecer ao tribunal nesta semana para explicar o que o magistrado descreveu como falhas repetidas no cumprimento de ordens judiciais relacionadas às operações no estado.

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Segundo o juiz, o governo de Donald Trump não cumpriu as ordens de realizar audiências para imigrantes detidos pelo ICE nas operações realizadas no estado. "A paciência do tribunal chegou ao fim", afirma o juiz Patrick J. Schiltz na petição protocolada na noite de segunda-feira (26), segundo a imprensa americana.

O diretor interino do ICE, Todd Lyons, deve comparecer pessoalmente ao tribunal na próxima sexta-feira (30). Minnesota tem sido palco de embate entre o governo democrata local e a Casa Branca após dois americanos terem sido mortos a tiros por agentes federais durante duas operações em menos de um mês.

O juiz ameaçou instaurar possíveis procedimentos por desacato contra Lyons após, segundo o magistrado, a agência ter deixado de realizar audiências de fiança a imigrantes detidos, apesar de determinações judiciais emitidas por tribunais em Minneapolis.

Schiltz diz que o ICE não se preparou nem tomou providências para lidar "com as centenas de pedidos de habeas corpus e outras ações judiciais que certamente" seriam apresentados à Justiça devido às operações.

Manifestações em larga escala têm dominado as ruas de diferentes cidades do estado, em especial de Minneapolis, palco das operações que resultaram nos dois óbitos.

A ordem judicial ocorre logo após Trump enviar a Minneapolis o encarregado das fronteiras, Tom Homan, que deve assumir o comando do ICE na cidade -hoje, é a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, quem controla os agentes federais no local.

Segundo a imprensa americana, Trump também demitiu o comandante de operação do ICE em Minneapolis. Gregory Bovino, conhecido como um defensor da truculência das operações de deportação e por usar roupas que suscitaram comparações a vestes nazistas.

Especialistas veem Bovino como a peça central da ofensiva de Trump. Agora, ele voltará ao cargo que tinha antes do governo Trump, como oficial do CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) na Califórnia.

No sábado (24), o enfermeiro Alex Pretti, 37, foi morto a tiros enquanto filmava uma operação do ICE em Minnesota. Poucos minutos depois do caso, o governo Trump afirmou que Pretti havia ameaçado os policiais. Vídeos da cena não comprovam essa versão.

No último dia 7, a poeta Renee Nicole Good, uma mãe de três filhos, de 37 anos, também foi morta a tiros em seu próprio carro. A Casa Branca também tentou culpá-la pelo episódio.

Em enfrevista à Folha de S. Paulo, o comissário de Segurança Comunitária de Minneapolis, Todd Barnette, criticou a atuação dos agentes ferais e disse que batidas, detenções e agressões conduzidas pelo ICE estão fazendo com que imigrantes revivam traumas de seus países de origem.

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