Justiça condena mulher que matou crianças envenenadas com ovo de páscoa

Publicado em 23/06/2026, às 08h48
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A Justiça condenou, na madrugada desta terça-feira (23), Jordélia Pereira Barbosa a 66 anos de prisão, em regime fechado, pelo envenenamento e morte de duas crianças em Imperatriz (MA). Elas morreram após comer um ovo de Páscoa enviado à casa delas pela acusada.

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As vítimas foram Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13, que não resistiram após consumir os doces. A mãe deles, Mírian Lira, chegou a ficar dias internada em UTI, mas sobreviveu. O crime foi em abril do ano passado.

O ovo que eles comeram continha chumbinho - um pesticida usado clandestinamente no Brasil para matar ratos. De acordo com a denúncia, Jordélia enviou o doce para a casa de Mirian por meio de um mototaxista.

Segundo o Ministério Público do Maranhão (MPMA), o crime foi motivado por ciúmes e vingança. Jordélia era ex-namorada do companheiro de Mirian à época. O caso aconteceu em abril de 2025, em Imperatriz.

O juiz determinou o cumprimento imediato da pena, manteve a prisão preventiva de Jordélia e negou o direito de recorrer em liberdade. Também foi determinada uma indenização mínima por danos morais de 100 salários mínimos para Mirian Lira Rocha e de 400 salários mínimos para os pais das duas crianças.

Entenda o caso

A denúncia foi formulada pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA) e aceita pela 3ª Vara Criminal de Imperatriz. A acusação é formulada pela 8ª Promotoria de Justiça de Imperatriz, cujo titular é o promotor de Justiça Tiago Quintanilha Nogueira. As investigações apontaram que Jordélia enviou chocolates contaminados com chumbinho para a família de Mírian Lira Rocha.

Durante as investigações, a polícia concluiu que o crime foi premeditado. Jordélia teria viajado de Santa Inês a Imperatriz, hospedou-se em hotel com nome falso e contratou um motoboy para fazer a entrega. Os ovos de Páscoa foram acompanhados de um bilhete: “Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!”.

Ao ser presa em Santa Inês, a polícia encontrou com Jordélia Pereira com perucas, restos de chocolate em bolsas térmicas e um bilhete de ônibus.

Durante o julgamento, os jurados reconheceram que Jordélia cometeu tentativa de homicídio qualificado contra Mirian, por motivo torpe, uso de veneno e dissimulação. Segundo a decisão, a morte da vítima só não ocorreu porque ela recebeu atendimento médico rapidamente.

Em relação às duas crianças, o júri reconheceu o crime de duplo homicídio qualificado. Foram consideradas as qualificadoras de motivo torpe, uso de veneno, dissimulação e o fato de as vítimas serem menores de 14 anos.

Durante a investigação, a Justiça considerou que não há sinais de que Jordélia Pereira não possa responder pelos próprios atos. Ela foi acusada de duplo homicídio e de tentativa de homicídio.

Em depoimento, Jordélia admitiu que comprou o ovo de chocolate e enviou à Miriam Lira, uma das vítimas, mas negou que teria envenenado o doce e atribuiu a culpa a terceiros. A versão foi considerada infundada pela Justiça.

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