Redação
A Justiça prorrogou por mais 60 dias o afastamento do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier, e de um agente da corporação, investigados por suposto envolvimento em fraudes em concursos públicos nos estados da Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
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A decisão, da 16ª Vara Federal da Paraíba, atende ao pedido do Ministério Público Federal (MPF), que apontou a necessidade de dar continuidade às investigações sobre suposto esquema de fraudes em concursos públicos e evitar novas interferências dos investigados na apuração dos fatos.
Ao acolher o pedido, a Justiça citou as circunstâncias que motivaram o afastamento inicialmente decretado em março deste ano. Segundo a decisão, ainda existem diligências pendentes e risco de que os investigados utilizem suas funções para criar embaraços às investigações, como já teria ocorrido em episódio de vazamento de informações relativas à deflagração de operação policial.
O MPF também sustentou que a prorrogação da medida é necessária especialmente em razão da realização de perícia em aparelho celular apreendido na cela do agente, etapa considerada relevante para o aprofundamento das investigações.
O órgão ainda destacou a necessidade de garantir que o novo concurso para os cargos de agente e escrivão da Polícia Civil de Alagoas, atualmente em desenvolvimento, seja realizado de forma correta, justa e sem fraudes, evitando qualquer interferência indevida por parte dos investigados.
Conforme a decisão judicial, Gustavo Xavier encontra-se no exercício de seu cargo de origem de delegado de Polícia Civil, tendo sido afastado apenas da função de delegado-geral da instituição. A Justiça considerou que, diante do curto período do afastamento inicial e da permanência dos riscos apontados pelo MPF, a prorrogação da cautelar mostra-se medida adequada e proporcional para assegurar a conveniência da investigação criminal.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos citados na reportagem, e o espaço segue aberto para posicionamento.
O TNH1 também entrou em contato com a assessoria de comunicação da Polícia Civil de Alagoas, e aguarda um retorno para incluir na matéria.
INVESTIGAÇÕES
Novos desdobramentos da operação conduzida pela Polícia Federal (PF) para investigar supostas fraudes em concursos públicos apontaram o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier, como suposto líder de uma organização criminosa responsável por fraudar certames.
O delegado foi citado por dois integrantes do grupo criminoso, em delação premiada. Ele foi apontado como “figura central” e líder do esquema que fraudou diversos concursos, entre eles o Concurso Nacional Unificado (CNU), também conhecido como o “Enem dos Concursos”. Uma das beneficiárias da fraude seria a esposa de Gustavo Xavier.
"Analisando os termos de depoimento temos que: um nacional conhecido por Delegado Xavier, através de preposto tal como Eudes, coagiu Thyago a passar a fraudar concurso público a seu mando", diz trecho da delação.
Ainda é citado que o delegado teria passado a comandar a organização criminosa após ter ameaçado um dos integrantes.
"Gustavo Xavier do Nascimento passou a ter poder de comando na ORCRIM quando, mediante ameaça, fez com que Thyago José cometesse fraude em benefícios de seus aliados. Como elementos de convicção pode ser citada a IPJ 165/2025 na qual são apontadas confirmações dos termos da Colaboração Premiada", diz outro trecho.
A delegação também detalhou o envolvimento de dois policiais civis de Alagoas. Eles são apontados como "parceiros" de crime de Gustavo Xavier. Um deles é o policial Eudson Oliveira de Matos, que seria o "porta-voz" do delegado.
"Eudson Oliveira de Matos: parceiro de crime de Gustavo Xavier, policial civil do Alagoas, atuava como porta voz de XAVIER, além de tentar fraudar o concurso de Delegado da Polícia Civil de Alagoas... Responde criminalmente por crimes violentos. Encontra-se custodiado na Polícia Civil. Elementos de convicção indicam que não deixou de praticar crimes, ainda que encarcerado, vide termo de colaboração premiada e IPJ165/2025", cita trecho.
COMO FUNCIONAVA A SUPOSTA FRAUDE
A investigação da Polícia Federal revelou, com base em análises técnicas e dados coletados, fraudes no Concurso Público Nacional Unificado (CNU) de 2024 e em seleções das Polícias Civis de Pernambuco e Alagoas, da Universidade Federal da Paraíba, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. As fraudes teriam beneficiado aos menos 16 pessoas.
Segundo a PF, as invetsigações começaram a partir da checagem de informações obtidas em fontes abertas, que indicavam possíveis irregularidades. Foram solicitados à banca organizadora dos concursos os gabaritos dos candidatos suspeitos. Uma análise comparativa dos dados foi feita e mostrou a existência de respostas idênticas entre diversos participantes, o que levantou fortes indícios de fraude.
Os investigadores também identificaram um grupo de candidatos com padrões incomuns. Esse grupo era formado por pessoas próximas, como familiares. Também houve casos de candidatos que realizaram provas em locais distantes de onde residiam, o que, segundo a PF, teria sido usado para facilitar a atuação do esquema.
As apurações também indicaram que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas e articulação prévia. Conversas extraídas de aparelhos celulares apreendidos revelaram negociações financeiras, acertos para aprovação em concursos e até mesmo a definição de valores elevados para garantir resultados. Em um dos casos, o valor cobrado teria chegado a R$ 500 mil.
TNH1 com informações do MPF*
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