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Juventude do PT radicaliza e pede fim da 'esquerda paz e amor'

Publicado em 14/10/2026, às 18h00

Flávio Gomes de Barros

Jornalista Adriana Ferraz:
 
"Com jovens de esquerda no comando, o ato eleitoral realizado na noite desta terça-feira (13) no largo da Batata, região de Pinheiros (zona oeste de São Paulo), foi marcado por uma radicalização do discurso dos apoiadores do presidente e pedidos do fim da 'esquerda paz e amor'.
 
O apelo foi de Leonardo Grandini (PT), eleito pela primeira vez para ocupar uma vaga na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo). Aos 24 anos, ele fez campanha afirmando que será o maior inimigo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo. No comício, ele falou em resistência e afirmou que agora é 'guerra', depois de cantar com o público 'Ei,
Bolsonaro, vai tomar no c*''.
 
Duda Hidalgo (PT), de 27 anos, seguiu na mesma linha. Eleita deputada estadual por Ribeirão Preto, reduto bolsonarista do estado, ela discursou pelo direito das mulheres serem o que quiserem —se declarou bissexual— e, no final, citou trecho de um jingle de oposição a Flávio Bolsonaro, que diz na 'cabeça do meu p*'.
 
Com a praça lotada de trabalhadores da região da avenida Brigadeiro Faria Lima, o público ouviu a também recém-eleita deputada federal Natália Boulos (Psol) endurecer o discurso e dizer que podem 'contar com ela para amassar os bolsonaristas no Congresso'.
 
Antes, Sofia Favero (Psol), terceira mais votada para a Alesp, disse que travestis são o terror dos fascistas. 'E vamos colocar a Eduarda Campopiano na lata de lixo da história', disse, sobre a vereadora de Praia Grande eleita pelo PL com 1,9 milhão de votos para a Alesp.
 
Com a juventude da esquerda no comando do ato, os ex-ministros Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) viraram espectadores. Do palco eles acompanharam ainda um vídeo transmitido em telão da cantora Anitta, que pediu para as pessoas identificarem quem luta pelo fim da escala 6x1 e quem é contra os trabalhadores.
 
Ovacionados pelo público, os deputados Guilherme Cortez e Érika Hilton, ambos do PSOL, pediram empenho pelos próximos 12 dias e se colocaram como antagonistas de Flávio e também do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
 
'Temos o dever de virar voto e reeleger o presidente Lula. Somos chamados à resistência, à valentia', disse Érika. 'Eles vão perder pela arrogância porque ninguém é capaz de frear um povo que sabe o que está em jogo', completou, sob aplausos e um coro com o seu nome.
 
O repórter da Jovem Pan João Vitor Revedilho foi hostilizado por um grupo de militantes petistas no ato. Ele precisou ser escoltado pela segurança do ex-ministro Fernando Haddad e pela vereadora Luna Zaratinni para deixar o local. Haddad ligou para o jornalista depois para se solidarizar, assim como outros líderes petistas, segundo a organização do ato.
 
A agressão começou quando o jornalista tentava fazer uma entrada ao vivo na área reservada aos veículos de imprensa. Quando segurou o microfone da emissora, começaram os gritos de 'fascistas', que depois foram dirigidos também a outros repórteres.
 
A organização do ato afirmou por meio de nota que repudia os atos promovidos por algumas pessoas contra a equipe da Jovem Pan.
 
'Atitudes que cerceiam a liberdade de imprensa são inaceitáveis e não podem ser toleradas. Nosso ato é pacífico, democrático e em defesa de direitos. A postura de alguns participantes —que não tinham relação direta com a militância partidária— não representa esses princípios e não tem lugar em uma mobilização valoriza a democracia, o respeito e a liberdade de expressão', diz a nota.
 
A manifestação é a segunda realizada em São Paulo desde domingo, quando apoiadores de Lula —que esteve presente— ocuparam sete quarteirões da avenida Paulista. Erika Hilton e Guilherme Cortez também estavam presentes, além da deputada reeleita Sâmia Bomfim (PSOL), a primeira-dama Rosângela da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
 
Na segunda-feira, houve outras duas manifestações no Rio de Janeiro —uma em Copacabana, na zona sul, e outra na Lapa, na região central.
 
Os atos ocorrem no contexto de mobilização dos partidos de esquerda para a campanha do segundo turno. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47% dos votos contra 45% obtidos por Lula."
 
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