Redação EdiCase
O leite é um alimento bastante presente na rotina alimentar de adultos e crianças. Fonte de nutrientes importantes, como proteínas, cálcio, fósforo e vitaminas, ele pode contribuir para o funcionamento adequado do organismo quando inserido em uma alimentação equilibrada e variada. Apesar de ser amplamente consumido, ele ainda é cercado por diversos mitos, muitos deles disseminados ao longo dos anos e sem respaldo nas evidências científicas.
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“A nutrição evolui constantemente, mas também convive com um grande volume de informações equivocadas. O leite é um exemplo clássico: apesar de ser amplamente estudado, continua cercado por mitos que confundem o consumidor e podem levar a restrições alimentares que prejudicam o consumo de nutrientes importantes, como as proteínas, cálcio e vitaminas do complexo B”, explica a nutricionista Dra. Aline David.
Abaixo, a profissional esclarece os principais mitos envolvendo o leite. Confira!
Mito. Nos últimos anos, essa afirmação ganhou força nas redes sociais, mas as evidências científicas não sustentam que o leite provoque inflamação. “O leite não deve ser considerado um alimento inflamatório para a população em geral e pode, inclusive, ter ação anti-inflamatória. Apenas situações específicas, como a alergia às proteínas do leite de vaca, exigem acompanhamento e condutas individualizadas, mas isso não significa que o alimento cause inflamação em todas as pessoas; muito pelo contrário”, afirma a Dra. Aline David.
Mito. Outro mito bastante difundido é o de que o leite, por si só, seria responsável pelo ganho de peso. Na prática, nenhum alimento isoladamente determina esse resultado. O aumento ou a perda de peso dependem do conjunto da alimentação, do estilo de vida, da prática de atividade física e do balanço energético, ou seja, a quantidade de calorias ingeridas precisa ser maior do que a gasta ao longo do dia para haver ganho de peso.
“O leite pode fazer parte de uma alimentação equilibrada em várias fases da vida, em suas diferentes versões. Para pessoas que precisam de um cuidado maior com a ingestão de calorias, o leite desnatado pode ser uma opção interessante, uma vez que preserva o perfil nutricional do alimento e possui menor teor de gorduras e, consequentemente, menor valor energético”, afirma a Dra. Aline David.
O equilíbrio da alimentação é mais importante do que excluir um alimento específico. “O mais importante é adequar a alimentação às necessidades individuais e avaliar o contexto geral da dieta, não atribuindo a um único alimento a responsabilidade pelo ganho de peso”, ressalta.
Mito. Ao contrário do que sugere esse mito, o consumo de leite na vida adulta é um hábito adquirido ao longo da história humana, graças à nossa grande capacidade evolutiva e adaptativa. Com o passar do tempo, populações desenvolveram adaptações que favoreceram o aproveitamento do leite e de seus nutrientes mesmo após o período de lactação.
“O consumo de leite é importante em todas as fases da vida e pode, sim, fazer parte da alimentação de adultos, desde que respeitadas as necessidades, preferências e possíveis restrições individuais”, afirma a especialista.
Mito. Apesar da validade prolongada, o leite longa vida (UHT) não recebe conservantes ou qualquer outra substância prejudicial à saúde. A legislação brasileira, inclusive, proíbe a adição dessas substâncias ao produto.
Sua durabilidade, qualidade e segurança são garantidas pela tecnologia empregada na produção, que combina o processamento em temperatura ultra-alta (UHT), o envase asséptico e as embalagens cartonadas com 6 camadas de proteção, capazes de proteger o alimento da luz, do oxigênio e da umidade.
“As únicas substâncias que podem ser adicionadas ao leite longa vida são os estabilizantes, para manter o produto homogêneo. Os estabilizantes são regulamentados pela legislação vigente e passam por rigorosos testes para garantir sua segurança”, comenta a nutricionista.
Mito. Também é comum encontrar informações de que o leite longa vida recebe água ou perde todos os nutrientes após o processamento. Isso não é verdade. O que muda é apenas o processo térmico utilizado para garantir segurança microbiológica e ampliar sua vida útil.
“O consumidor pode confiar que o leite longa vida mantém os nutrientes naturalmente presentes no leite e oferece a mesma qualidade nutricional, com a vantagem de proporcionar segurança microbiológica e praticidade para o dia a dia”, destaca a Dra. Aline David.
Com o crescimento da circulação de informações sobre alimentação nas redes sociais, aumenta a importância de buscar fontes confiáveis e orientação de profissionais habilitados antes de excluir alimentos da rotina.
“Muitas recomendações compartilhadas na internet simplificam temas complexos e acabam gerando receios desnecessários. No caso do leite de vaca, conhecer sua composição, seus benefícios e as diferentes opções disponíveis é importante para fazer escolhas mais conscientes e adequadas a cada fase da vida e à necessidade individual”, conclui a Dra. Aline David.
Mais do que seguir tendências ou acreditar em conteúdos virais, compreender o papel dos alimentos dentro de uma alimentação equilibrada é um dos caminhos para fazer escolhas mais seguras e baseadas em evidências científicas.
Por Gabriela Gimenes
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