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Leitura na adolescência: 4 dicas para despertar o interesse pelos livros

Publicado em 21/10/2026, às 17h00
- Ler por interesse próprio ajuda os jovens a ampliar o repertório e o gosto pela literatura (Imagem: Dmytro Zinkevych | Shutterstock)

Redação EdiCase

No Brasil, apenas 49% dos estudantes de 15 anos atingiram o nível 2 de proficiência em leitura, patamar em que o jovem consegue identificar a ideia principal de um texto de extensão moderada e localizar informações com base em critérios explícitos, segundo o último ciclo do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Na média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne os países para discutir e promover políticas públicas, o percentual chega a 69%.

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Nessa etapa da trajetória escolar, o desafio é ampliar o repertório dos adolescentes, aprofundar sua capacidade de interpretação e desenvolver autonomia para que a leitura vá além das tarefas escolares. “Nos anos finais do Ensino Fundamental, não basta que o estudante consiga compreender o que está escrito. É uma etapa em que podemos ampliar seu repertório, aprofundar sua interpretação e estimular uma relação mais autônoma com a leitura. Para isso, o contato com a literatura precisa ter continuidade e acompanhar o amadurecimento do aluno”, explica Iara Cabral de Athayde Bertolani, mestre em Educação e diretora do Ensino Fundamental II do Colégio Visconde de Porto Seguro.

Segundo ela, o desenvolvimento do hábito de ler acontece de maneira gradual, ao longo do tempo. Por isso, é importante que as experiências de leitura evoluam progressivamente. “Conforme avançam, podemos apresentar aos estudantes textos mais desafiadores, ampliar a diversidade de gêneros e autores, assim como aprofundar as discussões sobre as obras. O objetivo é que cada nova leitura dialogue com o repertório que o aluno já construiu e, ao mesmo tempo, o amplie”, afirma.

Para apoiar esse percurso tanto em casa quanto na escola, Iara Bertolani reúne quatro dicas:

1. Mantenha frequência e continuidade

Estabeleça uma rotina para que o contato com a literatura não fique restrito a provas, trabalhos ou datas específicas. A continuidade permite retomar experiências anteriores e aprofundar a relação com os livros.

2. Diversifique as obras para ampliar o repertório

Proporcione contato com diferentes gêneros, autores, épocas, culturas, temáticas e linguagens. Combinar clássicos e obras contemporâneas, romances, contos, quadrinhos, teatro e cordel possibilita conhecer outras realidades, contextos históricos e questões sociais. É importante que essa seleção contemple obras que o estudante talvez não escolhesse espontaneamente.

O professor tem papel central ao contextualizar as obras e propor discussões que enriquecem a leitura (Imagem: LightField Studios | Shutterstock)

3. Aumente os desafios gradualmente e com mediação

Selecione obras que sejam adequadas à faixa etária e à maturidade leitora, ampliando aos poucos a complexidade da linguagem, da estrutura e das questões abordadas. O professor tem papel central nesse percurso, pois contextualizar as obras, levantar hipóteses, propor discussões, entre outras ações, ajuda os alunos a perceber aspectos que poderiam passar despercebidos em uma leitura autônoma, mas também a sustentar suas interpretações com elementos do texto.

4. Preserve espaços de escolha e autonomia

Além das leituras propostas pela escola, ofereça oportunidades para o estudante explorar os próprios interesses, estabeleça um ritmo e desenvolva critérios de escolha. As opções de leitura de férias são um bom exemplo disso em uma curadoria pedagógica. A autonomia é construída progressivamente, à medida que o aluno amplia suas referências e conhece suas preferências.

“Queremos que o aluno desenvolva repertório, capacidade crítica e autonomia, mas também que encontre prazer na leitura, tenha curiosidade por novos livros e continue lendo por interesse próprio. Quando esse vínculo é construído ao longo da formação, a leitura deixa de ser uma demanda escolar e passa a fazer parte da vida do aluno”, conclui Iara Bertolani.

Por Isabella Kemen

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