Lesões vasculares em crianças: conheça os sinais e a importância do acompanhamento médico

Publicado em 15/05/2026, às 11h30
- Lesões vasculares podem surgir desde o nascimento ou nas primeiras semanas de vida (Imagem: Ivanko80 | Shutterstock)

Redação EdiCase

A Semana Nacional de Conscientização sobre Hemangiomas e Anomalias Vasculares, instituída pela Lei nº 14.588/2023, chama atenção para a importância do diagnóstico precoce das alterações vasculares na infância, que podem surgir desde o nascimento ou nas primeiras semanas de vida.

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Apesar de frequentes nesse período, essas lesões ainda geram dúvidas entre pais e cuidadores e podem ser confundidas entre si, reforçando a necessidade de avaliação especializada desde o início para evitar complicações e garantir o tratamento adequado.

Entre as principais manifestações, estão os hemangiomas infantis, tumores vasculares benignos que aparecem nos primeiros dias ou semanas de vida. Essas lesões apresentam crescimento mais acelerado nos primeiros meses e, na maioria dos casos, regridem espontaneamente ao longo da infância. As malformações vasculares, por outro lado, são alterações estruturais de origem embrionária, presentes desde o nascimento, que não regridem e acompanham o crescimento da criança ao longo da vida.

Sinais de lesões vasculares que merecem atenção

De acordo com a Dra. Luísa Ciucci Biagioni, cirurgiã vascular e membro do Departamento de Doenças Vasculares de Origem Mista da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo, reconhecer as diferenças entre as condições é decisivo para o manejo correto dos casos. 

“Nos primeiros meses de vida, os sinais que merecem atenção incluem manchas avermelhadas, rosadas ou arroxeadas na pele, aumento de volume em alguma região do corpo, assimetrias entre membros, veias muito aparentes e lesões que podem sangrar. Em geral, os hemangiomas surgem cedo e crescem rapidamente no início, enquanto malformações podem estar presentes desde o nascimento e se tornar mais evidentes com o desenvolvimento da criança”, explica.

A especialista destaca que nem todos os casos exigem intervenção imediata, mas há sinais de alerta que devem levar à avaliação precoce, como lesões próximas aos olhos, nariz, boca, ouvido ou vias aéreas, crescimento acelerado, dor, sangramento ou prejuízo funcional, incluindo dificuldade para respirar, mamar, alimentar-se ou enxergar. A Academia Americana de Pediatria recomenda avaliação ainda no primeiro mês de vida em casos de maior risco.

Riscos da demora no diagnóstico das lesões vasculares

Entre os erros mais comuns, estão a ideia de que toda mancha vascular é apenas estética, a demora na busca por atendimento e o uso de tratamentos caseiros sem orientação médica. Também é frequente a confusão entre os diagnósticos, o que pode atrasar o início do tratamento adequado.

Essas condições podem ir além do aspecto estético e causar dor, sangramento, infecções, limitações funcionais, dificuldades visuais, respiratórias ou alimentares, deformidades e impacto emocional significativo. Em alguns casos, podem estar associadas a alterações ósseas, musculares ou vasculares mais profundas.

Além das possíveis complicações físicas, lesões vasculares visíveis também podem provocar impacto emocional e social nas crianças, especialmente quando atingem regiões expostas, como o rosto. Dependendo do caso, a condição pode afetar a autoestima, a convivência escolar e a socialização, tornando o acolhimento familiar e o acompanhamento adequado ainda mais importantes.

O diagnóstico das lesões vasculares é principalmente clínico (Imagem: Dragana Gordic | Shutterstock)

Diagnóstico e tratamento das lesões vasculares

O diagnóstico é principalmente clínico, baseado em características como início da lesão, padrão de crescimento, cor, temperatura e localização. Quando necessário, exames como ultrassom com Doppler, ressonância magnética e tomografia auxiliam na avaliação.

O tratamento, por sua vez, depende do tipo de lesão, localização e risco de complicações. Casos leves podem ser apenas acompanhados, enquanto situações com risco funcional exigem intervenção. Entre os avanços terapêuticos, estão o uso do propranolol para hemangiomas e técnicas como escleroterapia, laser, embolização e cirurgia para malformações vasculares.

Importância do acompanhamento especializado

A Dra. Luísa Ciucci Biagioni alerta ainda para os riscos de abordagens inadequadas, que podem agravar o quadro e atrasar o tratamento correto. A principal recomendação da médica é que não se deve ignorar uma mancha ou lesão vascular que cresce, muda de cor, sangra, dói, úlcera ou interfere em alguma função. 

Embora nem toda lesão represente gravidade, toda suspeita precisa ser avaliada de forma adequada. “O diagnóstico precoce evita complicações, reduz sequelas e permite que a criança receba o tratamento certo no momento oportuno”, afirma.

Por Elenice Costola

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