Líder de quadrilha é dentista e lavava dinheiro do tráfico com atividades de agropecuária, diz delegado

Publicado em 23/03/2023, às 12h40
Delegados Sidney Tenório e Igor Diego (à direita) participaram da coletiva | Reprodução/TV Pajuçara -

João Victor Souza, com TV Pajuçara

A Polícia Civil de Alagoas (PC-AL) confirmou, em coletiva de imprensa no início da tarde desta quinta-feira, 23, que o líder da quadrilha que movimentou mais de R$ 7,5 milhões em contas bancárias por causa do tráfico de drogas, em maioria cocaína, era responsável por coordenar uma rede de traficantes que recebiam entorpecentes de fornecedores de São Paulo e de Minas Gerais. O homem, que trabalha como dentista, foi preso em uma fazenda na cidade de Ibateguara, durante a "Operação Escobar", desencadeada nesta manhã.

LEIA TAMBÉM

Segundo o delegado Igor Diego, um dos responsáveis pela investigação, o dentista, que não teve o nome divulgado, lavava o dinheiro ilícito com as atividades de agropecuária, como compra e venda de animais, para não ter que declarar os bens. Ele é proprietário da fazenda onde foi preso pelos policiais.

"A operação visou buscar o patrimônio dessas pessoas, uma vez adquirido de maneira ilícita pelo tráfico de drogas. O líder da organização criminosa lavava o dinheiro ilícito com atividade, além de dentista, com atividade de agropecuária, quando ele comprava e vendia gado e cavalo, uma vez que essa compra e venda de animais, fica mais fácil de lavar o dinheiro, porque não havia declaração dos bens", disse.

"Dois apartamentos na Jatiúca são de propriedade desse líder da organização criminosa. Toda a documentação da fazenda em Ibateguara vai ser analisada para saber se ela foi adquirida de maneira ilícita", continuou o delegado. 

Ainda de acordo com Igor Diego, o dinheiro do tráfico de drogas era depositado nas contas bancárias de terceiros. "Os indivíduos de São Paulo e Minas Gerais encaminhavam a droga para Alagoas, diretamente para quem encomendou a droga, nas cidades de Maceió, Boca da Mata, Rio Largo, Barra de São Miguel, Ibateguara e Palmeira dos Índios. Essa droga chegava para os traficantes, e o líder da organização criminosa dava um cartão com números de contas bancárias para que os indivíduos não fizessem depósito na conta dele, e sim de outras pessoas", destacou.

A polícia explicou que todo material colhido na investigação vai ser analisado e outras pessoas podem ser investigadas. "Todo o material probatório, técnico, já foi inserido nos autos. Hoje, o grande objetivo da operação era prender os principais integrantes do grupo criminoso, como buscas para apreender celulares, joias, veículos, quantia em dinheiro".

Dentista já havia sido preso em 2014 - A polícia reforçou que o líder do grupo criminoso já havia sido preso no ano de 2014 por tráfico de drogas e associação para o tráfico de drogas. Ele foi solto quatro anos depois e continuou praticando os mesmos crimes.

"Ele já havia sido preso com 130 quilos de maconha. Ficou preso até 2018. Ao sair do sistema prisional, continuou praticando o mesmo crime. Ele se organizou para ser o líder do grupo. Ele solicitava a droga para dois fornecedores, sendo um do estado de São Paulo, também preso hoje, e outro do estado de Minas Gerais", afirmou Igor Diego.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Vídeo mostra momento em que funcionários da BRK são atacados por homem com facão Cinco pessoas são presas suspeitas de torturar e matar vizinho após briga com idosa Polícia investiga se houve negligência em proteção de área onde criança autista foi encontrada morta Motorista de ônibus que capotou e matou romeiros diz que não lembra do momento do acidente