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Ligação de desconhecido e soda cáustica no corpo: polícia detalha assassinato de Beatriz Vitória

Publicado em 22/10/2026, às 14h35
- Foto: Reprodução/Redes Sociais

O Tempo

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Um dia após o corpo da balconista Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, ser localizado em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a Polícia Civil (PCMG) apresentou, nesta quinta-feira (22/10), detalhes da investigação que apura as motivações e as circunstâncias da morte da jovem. O ex-namorado da vítima, Samuel Castro Melo, de 18, e a atual namorada dele, Carla Luíza da Silva, de 23, foram presos suspeitos de envolvimento no crime. Uma adolescente de 15 anos, que indicou o local onde o corpo estava, também é investigada.

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Veja o que se sabe sobre o caso:

O caso começou a ser investigado no dia 9 de outubro, após amigos e familiares denunciarem o desaparecimento de Beatriz. Segundo a PCMG, a vítima estava em um bar com amigos quando recebeu uma ligação de um número desconhecido. Pelo diálogo, os colegas identificaram que se tratava de Samuel, ex-companheiro dela. Após a ligação, ela se deslocou até uma rua de terra, mas voltou instantes depois, afirmando ter visto alguém desconhecido no carro. Entretanto, pediu que amigos fossem procurá-la caso não retornasse em cinco minutos e voltou até um veículo, mas não retornou. Após o sumiço da jovem, os amigos passaram a procurá-la e acionaram familiares e a PCMG.

A partir da denúncia, a PCMG iniciou os levantamentos e verificou, por meio de câmeras de segurança, um Volkswagen Up, que pertence ao pai de Samuel, circulando nas proximidades do bar onde Beatriz estava. Por meio das imagens, a PCMG conseguiu identificar três pessoas dentro do carro: o ex-namorado da vítima, a atual namorada dele, Carla Luíza, e uma adolescente de 15 anos.

Menor indicou local de desova


A menor foi peça-chave para localizar o corpo. Segundo o delegado Alexandre Fonseca, titular da Divisão de Pessoas Desaparecidas de Belo Horizonte, os investigadores foram até o pai da menor e explicaram a repercussão do caso.

“A menor era o elo mais fraco da cadeia e ontem procuramos o pai da menor. O suspeito (ex-namorado) tinha medo do pai dela. Então fomos atrás dele, mostramos a repercussão do caso e o pai resolveu colaborar, conversou com sua filha e ela passou a colaborar, mesmo com medo dos autores”, explicou o delegado.

A adolescente admitiu que estava no carro e mostrou o local onde teria visto Beatriz pela última vez. Segundo a menor, ela teria ficado no carro enquanto Samuel e Carla levaram Beatriz para um local de mata. Instantes depois, o casal voltou sem a vítima, momento em que ela percebeu que algo teria acontecido.

Premeditação


Os investigadores da PCMG fizeram uma varredura na região indicada pela menor e localizaram terra remexida e moscas em um ponto. Ao cavar, o corpo de Beatriz foi localizado, com os pés e as mãos amarrados e coberto por soda cáustica. Ao lado da cova, foram localizados os chinelos e a capinha de celular da vítima. A polícia acredita que ela tenha sido morta a tijoladas.

“Quem encontrou o corpo foram os investigadores da minha delegacia. Ele estava enterrado em uma cova de profundidade média. Percebemos a presença de moscas sobre a terra remexida e, pela experiência nesse tipo de localização, fizemos uma escavação e identificamos que havia um corpo humano no local. No entorno, também encontramos as sandálias da vítima e a capa do celular”, afirmou o delegado Alexandre.

Segundo Fonseca, a cova e o uso de soda cáustica para ajudar na decomposição do corpo indicam que o crime foi premeditado. “O crime foi premeditado porque a cova foi feita antes da execução”, afirmou.

Desavenças e gravidez


A Polícia Civil acredita que as desavenças entre Beatriz e Carla, atual namorada de Samuel, possam ter motivado o assassinato. As brigas começaram no início do mês, quando as duas teriam tido um desentendimento durante um evento de exposição na cidade. Elas também teriam brigado em um bar da cidade.

Segundo o delegado Alexandre Fonseca, a análise dos celulares apreendidos deverá ajudar a esclarecer a relação entre os envolvidos e os possíveis conflitos que antecederam o crime. “Os celulares vão demonstrar para nós esse arcabouço desse atrito”, afirmou o delegado.

As informações apuradas pela polícia também apontam que Samuel Castro Melo, de 18 anos, ex-namorado de Beatriz, costumava procurar a jovem quando brigava com Carla. Os investigadores apuram se essa dinâmica da relação e a desavença entre as duas mulheres tiveram relação com o assassinato.

Outra linha de investigação trabalha com a hipótese de que uma possível gravidez de Beatriz tenha gerado o conflito. Conforme mostrou O TEMPO, Beatriz estaria grávida de aproximadamente três meses de Samuel, segundo informações relatadas pelo atual namorado dela, Yuri Gabriel Guedes Lopes, de 18 anos. A informação, no entanto, ainda não foi confirmada oficialmente. De acordo com a Polícia Civil, a possível gravidez será verificada por meio de exames periciais.

Quem matou Beatriz?


Segundo a Polícia Civil, em depoimento após ser preso, Samuel admitiu ter feito a “captura” de Beatriz, mas negou tê-la matado. Ele atribuiu a autoria do homicídio à adolescente e afirmou que Carla não teve participação no crime. A jovem de 23 anos, por sua vez, optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório.

Já a adolescente afirmou, em oitiva, que permaneceu dentro do carro e que só percebeu que algo havia acontecido quando os outros dois suspeitos retornaram sem a vítima. Ela foi liberada após o depoimento.

Apesar das versões apresentadas pelos investigados, a Polícia Civil acredita que os três estavam no local do crime.

Trio pretendia tatuar ‘deus da morte’


Após a apreensão dos celulares dos três suspeitos, a PCMG identificou mensagens trocadas entre eles que indicam que o grupo pretendia tatuar a imagem de um “deus da morte” no braço para celebrar o crime. A informação foi repassada ao jornal O TEMPO por uma fonte ligada à investigação, após a apreensão dos celulares dos investigados.

Próximos passos


A Polícia Civil trata o caso como feminicídio. As investigações agora prosseguem para apurar se há outros envolvidos, definir a participação de cada suspeito no crime e identificar outros crimes cometidos durante a execução.

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