'Limpeza de praias é maquiagem pra inglês ver', diz professora da USP

Publicado em 30/10/2019, às 18h48
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Redação TNH1

Durante mais de duas horas, a Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara dos Deputados debateu, na manhã desta quarta-feira, 30, causas e reflexos do vazamento de óleo no litoral nordestino.

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Representantes do Ibama, ONGs e Universidades tentaram entender o surgimento e mensurar as consequências das manchas de óleo que desde setembro poluem a costa nordestina, sujando as praias e matando espécies marinhas nos nove estados da região.

A professora sênior da USP (Universidade de São Paulo), Yara Schaeffer Novelli, chamou a atenção para os efeitos a longo prazo da presença do óleo no litoral. Ela diz que a limpeza que tem sido feita nas praias não passa de “maquiagem para inglês vêr”.

“Quando o óleo tem contato com a zona costeira, a zona do entremarés, a limpeza é algo apenas de maquiagem, é pra inglês ver. Por onde o óleo passa, deixa o registro. O óleo, por onde ele caminhou, na coluna d’água, deixou o seu registro. Os efeitos biológicos na fauna, na flora, assim como no homem... A longo prazo, vamos ser lembrados de que óleo passou por ali”, explicou a especialista.

Para alertar sobre os efeitos do desastre ambiental, Schaeffer usou como comparação com o vazamento do óleoduto da Rio-Santos, quando 1,5 milhão de litros de óleo vazaram no canal de Bertioga e outras 17 praias. A professora foi perita judicial na Ação Civil Pública movida contra a Petrobras. "Temos experiência com o rompimento do oleoduto da Petrobras em 1983. Estamos monitorando até hoje, e 30 anos depois o óleo ainda continua no sedimento”, alertou.

Assista à audiência:

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