Lula está encurralado E a culpa é dele próprio.

Publicado em 26/02/2026, às 18h00

Flávio Gomes de Barros

 
Jornalista William Waack:
 
"Lula tem só decisões difíceis pela frente em matéria de eleições. E a inação, sua postura favorita em crises, não é uma opção.
 
Em boa parte a situação em que se encontra foi criada por ele mesmo. É a de julgar que ferramentas que funcionaram antes vão funcionar sempre. Os sinais de que as coisas não são mais como há vinte anos se acumularam, mas Lula insistiu em mais do mesmo.
 
Que é na sua essência o tipo de política assistencialista populista que hoje está no cardápio de todas as colorações. Ou seja, não é mais um 'programa' que só se encontra em determinada prateleira (da esquerda, por exemplo). E não há quem dispute eleições hoje sem apelar a essa seção do supermercado do marketing eleitoral.
 
O fato da eleição estar aberta para um Lula que se acha imbatível deveria ser grave sinal de alerta para ele. Pois embora o saco de bondades e a gastança tenham sido os instrumentos que avisou que utilizaria (e Bolsonaro o ajudou a realizar o desejo antes mesmo de assumir), sua estreita margem de vitória não se ampliou.
 
Ao contrário, mesmo com o gás do povo e a isenção de IR a diferença parece exígua e ameaçada apesar dos graves erros estratégicos de seus principais adversários. Pelas condições que Lula julga normais de pressão e temperatura, ele já deveria estar com a eleição garantida.
 
Mas não está, a julgar por uma série de pesquisas recentes que o colocam como muito competitivo, mas não como imbatível. Isso se deve a um fator que ele jamais seria capaz de reconhecer. Deve-se a ele mesmo, à fadiga de material que a figura política do presidente representa.
 
O problema é o que fazer. Um outro sinal de perigo para Lula é o fato – segundo as pesquisas – de que já não há um 'adversário ideal' a ser enfrentado com mais facilidade (mais de um pontuam bem no segundo turno). Lula lidera o 'campeonato' da rejeição, algo a ser considerado com muita gravidade quando se constata que a eleições, em boa medida, são um plebiscito sobre ele.
 
Ele subestima também o peso que “valores” ou “costumes” (chame-se como quiser) assumiram na formação da intenção de voto. Que raramente é, diga-se de passagem, função de um só aspecto da realidade percebida pelos eleitores. Outros aspectos, como a percepção de segurança pública, corrupção e “podridão” do sistema político combinam-se com feições negativas para o que Lula e PT representam em vastos setores da sociedade.
 
Talvez Lula pudesse ser ajudado se tivesse cuidado a tempo (coisa que nunca fez) de dois aspectos estratégicos que estão no, digamos, 'subconsciente' coletivo. Para onde vamos como País? E com qual herança em termos de sucessores políticos de uma figura incontestavelmente dominante nas últimas duas décadas e meia?"
 
 
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