Gabriel Amorim
O candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante ato na Praça Deodoro, em Maceió, na noite desta quinta-feira (24), que fará "anúncios importantes" nesta sexta (25) e voltou a defender o fim das bets. No discurso, Lula subiu o tom contra os clubes de futebol que reagiram à possível proibição das plataformas.
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"Ou a gente acaba (com as bets), ou isso vai acabar com o Brasil. E eu vou acabar com isso."
Lula criticou firmemente os clubes que têm como patrocinadores máster empresas de apostas e afirmou que os torcedores não deveriam ser incentivados a apostar para financiar.
"Os times precisam respeitar o torcedor. O torcedor pobre, que faz sacrifício, compra entrada, vai no estádio, compra camisa do time para o filho, para a mulher. Está pagando o time. E aí o time acha que o torcedor tem que se viciar em jogo para dar dinheiro ao time para pagar o salário caro?", disse.
A declaração acontece após a reação de parte dos principais clubes de futebol do país, que soltaram uma nota (veja a íntegra no final da matéria) e afirmaram que as restrições podem representar o “fim do futebol brasileiro”.
Na contramão, Lula citou os cinco títulos mundiais da Seleção Brasileira e os títulos mundiais de Santos (1962 e 1963), Flamengo (1981), São Paulo (1992, 1993 e 2005) e Corinthians (2000 e 2012), todos conquistados antes da popularização das bets.
"Depois que vieram as bets, o que ganhamos? Nada. Tomamos 7 a 1 da Alemanha [na Copa de 2014, no Brasil] e fomos desclassificados [na Copa de 2026, para a Noruega] de forma vergonhosa."
A expectativa é que uma Medida Provisória (MP) para proibir as operações das bets no Brasil seja assinada por Lula ainda nesta sexta-feira (25).
LULA CITA ENCONTRO COM PESSOAS ENDIVIDADAS
Durante o ato, Lula também relatou um encontro com pessoas que, segundo ele, estão endividadas por causa das apostas esportivas. O presidente afirmou ter ficado chocado com os relatos.
"Tive reunião com oito pessoas que estão endividadas com as bets. E eu descobri que essa bet é uma doença. Conheci uma moça de 27 anos que levantava de noite, ligava o chuveiro para o marido não desconfiar. Ela ficou devendo R$ 730 mil. Conheci um senhor empresário, ele ficou devendo R$ 2,2 milhões, vendeu até terreno do pai que não era dele", disse.
Nesta noite, Lula cumpriu a agenda de campanha em Maceió ao lado da primeira-dama Janja, do governador Paulo Dantas, do candidato ao Governo de Alagoas, Renan Filho (MDB), que também foi ministro dos Transportes, e dos candidatos ao Senado Renan Calheiros (MDB) e Dr. Wanderley (MDB). O ato reuniu milhares de apoiadores.
NOTA DOS CLUBES
O FIM DO FUTEBOL BRASILEIRO
O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das empresas e de todos os setores envolvidos.
Por isso, é fundamental aprimorar as medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção, para reduzir riscos e garantir um mercado responsável.
O Brasil escolheu enfrentar esse desafio pela regulamentação. A regulamentação estabeleceu regras rígidas para as empresas autorizadas a atuar no país, com regras claras que permitem ao Estado fiscalizar o mercado, responsabilizar quem descumpre a lei e combater a atuação de plataformas clandestinas.
Importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul-Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo.
Essa presença não se limita aos maiores clubes. Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitas destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento.
Essas receitas são fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não geram recursos suficientes para se sustentar de maneira independente, como parte do futebol feminino e a formação de futuros talentos, os primeiros investimentos ameaçados quando a receita cai de forma abrupta.
Assim, os rumores sobre mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas têm gerado enorme preocupação em todos os clubes, federações e entidades de administração do esporte. Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país. Contratos regularmente firmados, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos sob um marco regulatório construído pelo próprio Estado.
Para responder a um mercado que já existia e movimentava ilegalmente bilhões de reais, o país instituiu um ambiente regulado. Empresas foram autorizadas, passaram a recolher impostos e assumiram obrigações relacionadas à proteção do consumidor, ao bloqueio de menores, à prevenção de práticas abusivas e ao combate à lavagem de dinheiro e à manipulação de competições. Foi justamente a regulamentação do mercado que retirou o Brasil da liderança do ranking mundial de casos de manipulação.
Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades.
A consequência não será apenas uma porta escancarada para as apostas clandestinas, mas um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência. Isso, sem falar na insegurança jurídica e profissional que a medida acarretaria, especialmente para contratos regularmente firmados e planejamentos construídos sob o marco regulatório aprovado pelo Congresso Nacional e estabelecido pelo próprio Estado.
O que o futebol entende que deve ser feito, com o máximo rigor, é combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado.
O futebol se coloca à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional, das Autoridades Estaduais e Municipais para colaborar em mecanismos mais eficientes de educação e conscientização.
O TORCEDOR NÃO PODE PAGAR ESSA CONTA.
SE ACABAR COM O MERCADO REGULADO, AS APOSTAS NÃO ACABAM.
O FUTEBOL É QUEM ACABA."
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