Theo Chaves
Desde o seu lançamento no último dia 1° de abril, a missão lunar Artemis II, coordenada pela agência espacial americana (Nasa), tem divulgado imagens inéditas e impressionantes feitas da superfície da Terra e da Lua.
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Duas dessas imagens, que foram feitas pela janela da nave Orion, atraíram milhares de curtidas nas redes sociais. Além da história sendo registrada a partir das lentes das câmeras, dois detalhes chamaram a atenção: a região costeira do Nordeste em grande destaque e a capital alagoana entre as cidades que aparecem nas imagens.
O primeiro registro foi divulgado pela Nasa nas redes sociais no dia 3, cerca de 48 horas após o lançamento da missão tripulada. A foto, feita de uma câmera digital de longo alcance, deixou centralizada na mesma imagem o continente africano e parte no continente americano, com destaque para a América do Sul.
A imagem (veja abaixo), também chama atenção por alguns pontinhos pequenos e brilhosos, principalmente na região costeira do Brasil. Segundo o astrônomo Elielson Pereira,, graduado no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), esses pontos seriam as capitais, entre elas Maceió.
Já o segundo registro, feito no 4° dia de missão e num posicionamento diferente, as lentes da tripulação captaram os mesmos continentes, mas em disposições diferentes.
O novo ângulo trouxe, além do continente americano e africano, a Aurora Boreal (linha esverdeada do lado direito da primeira imagem), que aparece nas extremidades do globo terrestre. A capital alagoana também voltou a aparecer na imagem.
Em entrevista ao TNH1, o astrônomo Elielson Pereira explicou que a tecnologia usada para captar as imagens e o ângulo diferente conseguiu trazer o registro histórico.
"O registro indica algumas capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro. Já na região Nordeste, o registro consegue mostrar ainda mais outras capitais, como Recife e Maceió. Isso tem ligação com a capacidade de resolução da imagem, que conseguiu fazer o registro nesse ângulo. É um ângulo diferente, por exemplo, feito pela missão Apollo 11, em 1969. À época, o registro retratava principalmente o continente africano", explicou.
O astrônomo ainda detalha que esse tipo de missão espacial, que pode ser contemplada por milhões de pessoas, fomenta questões importantes, entre elas, a ambiental.
"Lembrando que a Lua é só a primeira parada da Artemis. Após quase 50 anos Apollo 11, que havia encerrado a jornada de comissões tripuladas, foram retomadas com toda força as missões espaciais. A previsão é de que 2030 se tenha, novamente, pousos de pessoas na Lua. Depois da década de 70, que tivemos a missão da Apollo 11, foi muito importante, pois tivemos a oportunidade de ver a terra de uma distância jamais vista. É um registro muito importante, pois fomentou os movimentos ambientalistas. Desde aquela época foram levantadas várias questões, envolvendo as fragilidades da Terra", destacou Pereira.
MISSÃO ARTEMIS
A missão Artemis II, que marca o retomada do programa lunar do Estado Unidos (EUA) surge em meio a uma corrida espacial. Para o astrônomo Elielson Pereira, Um dos principais alvos dessas missões é o polo sul da Lua.
"Sobre a importância das missões Artemis, falando no plural, elas têm o propósito de fazer o acesso seguro à Lua. Esse acesso é a questões básicas, como, por exemplo, para saber se temos concentrações de água no polo sul da Lua, principalmente para futuras missões. Lembrando que a Artemis envolve o desenvolvimento de uma tecnologia para fazer voos mais distantes, como para marte. Então, essas missões são importantes nesse sentido, de trazer acessos seguros, estabilização de tecnologias, testes de equipamentos.Também há a questão da exploração espacial, envolvendo, por exemplo, a mineração, e que tem como foco a Lua e Marte", finalizou.
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