Mãe da menina Sophia fala pela primeira vez à TV; assista

Publicado em 28/12/2015, às 11h34

Redação

A mãe de Sophia falou pela primeira vez a uma equipe de televisão! Lígia recebeu o Domingo Espetacular, em casa, no começo da tarde deste sábado (26). Foi um depoimento em que ela não deixou nada sem resposta.

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O laudo pericial apontou que o pai, Ricardo, assassinou a menina. Sophia, de apenas quatro anos, foi encontrada morta, na casa do pai, no início do mês em São Paulo.

Ricardo e Lígia eram adolescentes quando se conheceram num clube de escoteiros. Eles ficaram amigos e depois começaram a namorar. O relacionamento ficou mais sério. Lígia teve uma gravidez não planejada e os dois se tornaram pais aos 19 anos.

Com a notícia da gravidez, Ricardo foi morar com a namorada na casa dos sogros. Sophia nasceu em maio de 2011.  

— Os meus pais montaram um quarto pra Sophia e um quarto pro Ricardo e pra mim. E nós moramos juntos até ela ter dois anos e meio.

Durante a convivência sob o mesmo teto, o comportamento de Ricardo começou a mudar.  

— Ele passou a agir de forma agressiva, piorando gradativamente contra ele mesmo. Jogar telefone na parede, dar soco na parede, rasgar a camiseta...

Apesar de não achar que Ricardo oferecia risco para ela ou Sophia, Lígia decidiu se afastar. O casal terminou a relação no final de 2013. A partir daí, a menina passou a morar com a mãe e os avós maternos e, a cada quinze dias, passava os fins de semana com o pai.

Lígia lembra que sempre que a filha voltava da casa de Ricardo, ela conversava a menina pra saber se tinha acontecido algo de errado durante a visita.  

— Eu perguntava muito pra ela, eu prestava muita atenção nela pra ver se tinha algum sinal e não tinha.

Segundo Lígia, Sophia era uma criança muito tranquila e fácil de lidar.  

— Todas as pessoas que conhecem ela, sabem que ela era muito viva, muito doce. Ela gostava de cantar, de dançar, ela era muito carinhosa, ela tinha uma personalidade forte. Ela sabia o que ela queria.

Com o passar do tempo, a relação entre Ligia e Ricardo ficou ainda mais abalada. Segundo Ligia, Ricardo nunca pagou pensão para a filha. Eles decidiram então fazer um acordo extrajudicial. Mas Ricardo, não teria comparecido à reunião marcada para assinatura do documento.

Um dia antes da morte da menina, eles trocaram mensagens por celular. Ricardo queria buscar Sophia na escola. Lígia autorizou, com a condição de que ele cumprisse o que já estava acertado e fizesse um depósito na conta dela.  

— Ele não compareceu, e ele não deu retorno, não retornou as ligações da advogada. Disse que ia cumprir com essas pendências e no dia seguinte, sem cumprir, foi sem autorização buscar a Sophia na escola e me entregou um cadáver.

Como Ricardo não cumpriu o que estava combinado, Lígia conta que naquele dia, foi buscar Sophia na escola normalmente.  

— Ao chegar lá, pouco antes das cinco da tarde, foi informada pelo segurança que Ricardo tinha buscado a filha dez minutos antes.

Eles foram embora a pé, como mostram imagens das câmeras de segurança. Lígia, então, ligou pra Ricardo.  

— Perguntei: “Onde tá a Sophia?”. Ele falou: “Estamos chegando na minha casa”, que era 700 metros da escola.

Mesmo sem gostar da atitude do ex-namorado, ela concordou em deixar Sophia ficar um pouco com o pai. Os dois estavam sozinhos. No entanto, Ricardo tinha um encontro marcado, num restaurante, com a nova namorada. Estava se arrumando quando, segundo ele, houve o acidente.

Depois de acionar o serviço de emergência, Ricardo ligou para Lígia. Quando ela chegou, os socorristas ainda estavam na casa.

— Quando eu vi o corpo dela e a médica do Samu me sentou no sofá da casa deles e disse que foi declarado o óbito, eu entrei em estado de choque. Eu fiquei mais de uma hora falando meu amor, minha vida, minha filha.

Para a polícia, Ricardo contou que foi rápido até a menina, balançou, colocou na cama, mas não tirou o saco da cabeça. Ele puxou até ver que ela estava com sangue no rosto. Para Lígia, a filha nunca teria se asfixiado acidentalmente com uma sacola na cabeça.  

— Ela era uma criança muito bem orientada, tanto por mim como pela minha família. Ela era uma criança curiosa, mas não era uma criança abusada.

A polícia também concluiu que a morte de Sophia não foi um acidente. Ela teria sido morta pelo próprio pai. O laudo do IML indica que a menina morreu por "asfixia por sufocação direta decorrente de obstrução dos orifícios externos respiratórios". Ou seja, ela teve a boca e o nariz tampados.

O documento revela ainda que Sophia teve "lesões em face", compatíveis com "mecanismo de pressão e arraste de musculatura facial da esquerda para a direita, de baixo para cima". A polícia também concluiu que Sophia foi agredida antes de ser sufocada. A menina teve o tímpano esquerdo perfurado e apresentava 21 hematomas pelo corpo.

Ricardo foi preso ainda no velório da filha. Mas, em todos os depoimentos, negou o crime. A mãe de Sophia diz que nunca imaginou que o ex-namorado pudesse fazer algo contra a menina.  

— O motivo só ele vai poder dizer. Porém a realidade é que não há razão pra cometer tal barbárie. A Sofia era uma criança de quatro anos e meio.

Depois de se recuperar do choque e saber que o ex-namorado era o principal suspeito, Lígia passou a analisar as reações de Ricardo e achou muito estranha a ligação dele para o Samu.  

— Ele já inicia a conversa dizendo “bom dia, boa noite”. Se fosse eu no lugar dele estaria desesperada, em estado de choque, gritando “pelo amor de Deus eu não sei o que eu faço”, “eu preciso de ajuda”, “eu preciso de uma orientação”, “minha filha está desacordada”.

Lígia lembra que a família de Ricardo recebeu mal a notícia da gravidez e teria se distanciado do casal. Por isso, Eduardo era um avô distante. 

— O Eduardo, pai do Ricardo, visitou ela na maternidade e depois nunca veio na minha casa fazer uma visita à neta. Nunca.

Recentemente Eduardo e Ricardo teriam feito as pazes e os encontros com a neta se tornaram mais frequentes.  

— Eu não posso dizer que isso é um vínculo. Pra mim avô é segundo pai, é pessoa que cuida, se importa, ele não ligava e perguntava: “Como ela está? Precisa de alguma coisa?”.

Lígia acredita na versão da polícia de que Ricardo agrediu e asfixiou Sophia. 

— O Ricardo se excedeu, mas poderia ter parado por ali. Mas optou por seguir em frente, e quando Sophia já estava morta, optou por modificar o local do crime, limpar o sangue da casa, guardar, esconder, ocultar o papel higiênico com sangue. Contudo a polícia mais do que fez o trabalho de investigar.

Ricardo teve a prisão preventiva decretada e foi transferido para um centro de detenção provisória. Ele deve aguardar o julgamento atrás das grades. Lígia espera que ele seja condenado.    

— A minha filha era tudo pra mim. Tudo. Eu espero que ele tenha a coragem e a dignidade de expor a verdade em memória dela.

Ela admite que é muito difícil seguir em frente depois do que aconteceu, mas pensa em Sophia para reunir forças e continuar lutando.  

— A minha dor é imensurável, é infinita, eu acredito que não tem nada nesse mundo que vai poder amenizar isso. Mas todo dia quando eu acordo, eu tomo um banho, eu me arrumo, escolho uma roupa alegre porque eu penso “a minha filha gostava de me ver alegre”, e por consideração a ela eu preciso continuar me esforçando.

As dúvidas ainda persistem. Se Ricardo matou mesmo a filha, por que ele fez isso? Lígia só tem uma certeza: a morte da menina acabou com os sonhos de toda uma família.  

— Como seria se a Sophia estivesse aqui? Ela nunca mais vai estar. Quando eu caminho, eu olho nas lojas, coisas, presentes que eu olho e digo “A Sophia amaria isso”. Aí eu lembro que ela não está mais entre a gente, que eu nunca vou poder dar nada daquilo que eu planejei pra ela. Todos os meus estudos eram pra um dia eu ser uma pessoa que pudesse proporcionar pra ela tudo aquilo que ela merecia.

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