Mãe decide esconder gravidez da família e motivo emociona

Publicado em 26/02/2026, às 14h29
- Foto: Reprodução/Redes Sociais

Revista Crescer

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Revelar a gravidez para a família costuma ser um momento especial para a grávida. Mas a social media e designer Mariah Victoria Fausta, 21, de Ribeirão das Neves, Minas Gerais, fez diferente: manteve a gravidez em segredo do início ao fim. A família - e até a ex-sogra - só souberam da existência do bebê, Apollo, depois do nascimento.

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A decisão, no entanto, tem uma razão profundamente dolorosa. Ela perdeu seu primeiro filho, Zayan, com 40 semanas de gestação. Quando descobriu que estava grávida novamente, decidiu esconder a notícia até que tivesse certeza de que o bebê estava bem. "Foi por medo. Medo de ter que anunciar outra perda", diz em entrevista exclusiva à CRESCER.


Ela engravidou pela primeira vez no início de 2024. "Foi uma felicidade sem explicação. Eu comecei a sentir enjoo e brinquei dizendo que estava grávida. Quando fiz o teste e deu positivo, foi uma surpresa linda. Foi uma emoção sem fim", destaca.


A gestação era muito esperada por todos da família. Por isso, ela gravou a reação dos parentes ao revelar a notícia, fez chá de bebê, chá revelação e compartilhava seu dia a dia nas redes sociais. "Foi uma gravidez cheia de expectativa, sonhos e planos. Eu vivi tudo intensamente. Estávamos todos ansiosos para conhecer o Zayan. Ele já era muito amado antes mesmo de nascer", conta.

'Sabia que a primeira vez que eu veria meu filho seria também a última'
 
A gravidez correu bem, sem nenhuma intercorrência. Ela acompanhava a gravidez com a obstetra de confiança e queria ter parto normal. Mas, quando estava com 40 semanas e dois dias, resolveu ir ao hospital, pois sentia que algo não estava certo.

"De manhã eu ainda tinha sentido ele mexer, mas à tarde comecei a sentir contrações. Quando cheguei, não conseguiram ouvir o coração dele no primeiro aparelho", lembra. Eles tentaram outro aparelho, chamaram outro médico, mas ninguém conseguia ouvir.


"Fui levada para o ultrassom. Lá, a médica comentou que o líquido amniótico estava turvo e então me perguntou: 'Sinto muito… Como era o nome do bebê?'. Naquele momento, meu mundo acabou. Comecei a passar mal, queria vomitar. Era como se eu estivesse vivendo algo que não podia ser real", lamenta.


Mariah já estava com 6 cm de dilatação e ficou das 21h até 10h da manhã em trabalho de parto. "Foi uma dor física muito intensa, mas a dor psicológica era maior. Sabia que a primeira vez que eu veria meu filho seria também a última, que eu não ouviria o chorinho, que não teria um bebê vivo nos meus braços", recorda.


"Eu orava o tempo todo, pedindo para ser um pesadelo. Cheguei a dizer que ele estava mexendo e pedi cesárea para tentar salvá-lo, mas era desespero. Tomei medicações para dor, fiquei bastante tempo no chuveiro", adiciona.


Ela deu à luz Zayan na manhã de 31 de dezembro, e o pequeno estava sem vida. "Quando ele nasceu, ainda estava quentinho. Era lindo, grande, forte, parecia muito comigo. Ele estava sujinho porque havia eliminado mecônio dentro da barriga", diz.


Mariah sofreu complicações durante o parto, com laceração e hemorragia. Por isso, precisou ir para cirurgia. "Quando voltei para o quarto, ele estava com a roupinha branca que eu tinha comprado com tanto carinho. Parecia um anjinho. Foi o momento mais doloroso e mais marcante da minha vida", lembra.


Os médicos não descobriram o que causou a morte de Zayan. "Não tivemos uma resposta definitiva. E talvez essa tenha sido uma das partes mais difíceis. A falta de explicação deixa muitas perguntas no coração", lamenta.
 

'Ver aquele caixão tão pequeno doía'
 
O velório ocorreu em 1 de janeiro de 2025. "Enquanto o mundo comemorava um novo ano, eu me despedia do meu", diz. "O velório ficou cheio. Ele era muito amado. Ver aquele caixão tão pequeno doía de uma forma que eu não consigo explicar. Eu só queria aproveitar cada segundo ali com ele, porque sabia que seriam os últimos momentos que eu teria ao lado do meu filho."


Para ela, foi ainda mais doloroso ter que contar para todos os amigos e familiares que o bebê tão esperado por todos havia falecido.


"Eu não queria contar para ninguém. Minha vontade era simplesmente desaparecer junto com ele. Mas, como eu estava compartilhando minha gestação nas redes, senti que precisava falar", afirma.

'Medo de ter que anunciar outra perda'
 
Alguns meses depois, Mariah descobriu uma nova gravidez inesperada. "Foi um misto muito intenso de sentimentos. Eu descobri no mesmo dia em que tinha terminado meu relacionamento. Veio o medo de acontecer tudo de novo. O medo de ser mãe solteira", conta.

Também veio a felicidade por uma nova chance, apesar de ainda sentir muito receio e preocupação. "A alegria não veio pura, veio acompanhada de muito medo. Depois que você perde um filho, nunca mais vive uma gravidez com inocência. Eu queria acreditar, mas tinha medo de me permitir", destaca.

Dessa vez, ela resolveu fazer diferente. Não quis expor a gestação nas redes, não teve chá de bebê nem chá revelação. Ela também não quis compartilhar a notícia, apenas o ex-marido, a mãe e a avó sabiam.


"Foi por medo. Medo de acontecer de novo. Medo das expectativas das pessoas. Medo de ter que anunciar outra perda. Eu já imaginava comentários e julgamentos que poderiam me machucar ainda mais. Então eu tentei proteger minha paz", explica.

'Eu estava tomada pelo medo de ele não sobreviver'
 
Ao contrário da primeira gravidez, a segunda foi cercada de tensão e preocupação. "Não foi fácil. No começo, eu entrei em negação. Tentava até esquecer que eu estava grávida. Eu evitava me apegar completamente, como se isso pudesse me proteger de outra dor. Na minha cabeça, se eu não me apegasse, eu não iria sofrer tanto caso acontecesse novamente uma perda", diz.


A gravidez correu bem, sem complicações. Apollo nasceu em 22 de novembro, após um longo trabalho de parto. "Por conta da perda anterior, meu parto foi induzido para que houvesse mais controle e monitoramento. A indução começou no dia 20 de novembro, às 9h da manhã, com medicação", conta.


"Colocaram o primeiro comprimido e fiquei sendo monitorada o tempo todo pela cardiotocografia. Depois administraram o segundo comprimido, mas em alguns momentos o batimento dele apresentou alterações, o que me deixava extremamente apreensiva", lembra.
Diante disso, a médica decidiu romper a bolsa e o trabalho de parto entrou na fase ativa.

Mariah sentia seu corpo fazendo força sozinho, apesar de ainda estar com apenas 7 cm de dilatação. Os médicos pediram para ela parar, mas ela não conseguia controlar.


"Ouvi que eu precisava colaborar e, em meio ao desespero, escutei que, se algo acontecesse novamente, a responsabilidade poderia recair sobre mim. Aquilo me abalou muito. Decidiram, então, aplicar anestesia", recorda.

O parto foi cercado de receio, o pai do bebê chegou até a passar mal de preocupação. Mesmo depois que o pequeno nasceu, Mariah ainda não conseguia relaxar. "Eu estava tomada pelo medo de ele não sobreviver e de algo acontecer comigo também. Assim que ele saiu, eu o puxei imediatamente para o meu peito, porque eu precisava sentir ele vivo ali comigo. Nesse movimento, o cordão umbilical acabou se rompendo, e eu tive hemorragia novamente", diz.


"Ele não chorou imediatamente, e aqueles segundos pareceram eternos. Quando finalmente ouvi o chorinho e senti o corpinho dele quentinho encostado em mim, foi um alívio gigantesco. Foi o som mais esperado da minha vida", ressalta.
 
'Compreenderam que não era falta de confiança'
 
Pouco depois do nascimento de Apollo, Mariah se sentiu pronta para compartilhar a novidade com a família. Todos, claro, ficaram muito surpresos. "Foi um misto de choque, choro e gratidão. No início, ninguém acreditava que eu tinha passado por tudo aquilo sozinha", diz.
"Mas quando entenderam o medo que eu carregava, compreenderam que não era falta de confiança, era proteção para mim e para eles. No final, foi um momento de muita emoção e alívio. Apollo chegou trazendo esperança para todos nós", destaca.

Mariah tem aproveitado cada minuto ao lado do filho. "Tem sido cura. Apollo não substitui o Zayan, mas ele trouxe luz para um coração que aprendeu a viver com ausência. Hoje eu sou mãe de dois filhos: um que eu carrego nos braços e um que carrego no coração. A maternidade me transformou para sempre", diz.

'Percebi que a minha história não era só minha, ela dava voz a muitas mães'

Quando se sentiu pronta, resolveu criar um perfil no Instagram (@mariah.maternidade), onde começou a compartilhar sua rotina como mãe. Em um dos vídeos, decidiu contar o que passou durante a gravidez de Zayan e Apollo e viralizou. Ela nunca imaginou que poderia bombar na internet - mas foi uma ótima surpresa.


"Eu só queria contar minha história, nunca fui de muitas amigas, sempre desabafava para meu esposo, e num momento que me vi sem ele, e queria desabafar, resolvi fazer uma nova conta e contar minha história, senti vontade de dividir minha vivência com outras mães. Também era um sonho trabalhar com redes sociais", diz.


Após a repercussão do vídeo, ela encontrou uma comunidade de mães que, assim como ela, tinham enfrentado a dor de perder um filho. "Percebi que a minha história não era só minha, ela dava voz a muitas mães que não conseguem falar, mas também passaram pelo mesmo", diz.

"Eu recebi diversos comentários e mensagens, das mães contando a história e também de mamães que pediam conselhos e ajuda, porque acabaram de ter uma perda como a minha", finaliza.


Assista ao vídeo aqui

 


 

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