Revista Crescer
TiLiyah Dawson, de 22 anos, fazia um exame de rotina para acompanhar o desenvolvimento do seu bebê, quando descobriu que a sua filha, Tyra, tinha uma anormalidade. No ultrassom, a equipe médica verificou que a bebê estava desenvolvendo um tumor raro chamado teratoma. Apesar de ser o tumor mais comum diagnosticado em recém-nascidos, a condição acomete apenas um em cada, aproximadamente, 40 mil bebês.
"Quando descobri, fiquei imediatamente preocupada. Eu estava tremendo, magoada e com medo, mas minha mãe sempre me tranquilizava, dizendo que tudo ficaria bem", contou TiLiyah à Newsweek.
Os teratomas são tumores raros que se originam de células germinativas e podem conter uma variedade de tecidos, incluindo osso, músculo e cabelo. Embora muitos sejam benignos, tumores grandes diagnosticados antes do nascimento podem representar sérios riscos para a mãe e o bebê.
A jovem de 22 anos, natural da Geórgia, nos Estados Unidos, descobriu que estava grávida em 2023, quando tinha acabado de se formar na Swainsboro High School. Apesar do desespero inicial, a rede de apoio fez uma grande diferença para a mãe de Tyra. Com cinco irmãos, TiLiyah cresceu em uma família grande e próxima.
"Era um caso de altíssimo risco"
TiLiyah havia ido realizar mais um ultrassom, porém começou a sentir uma intensa dor nas costas. "Eu tinha ido fazer um ultrassom com minha mãe e minha irmãzinha. Quando me sentei depois do exame, senti uma dor nas costas tão forte que achei que não conseguia andar", contou a mãe.
Imediatamente, a mãe de Tyra foi acompanhada para um hospital na cidade de Statesboro. "Era um caso de altíssimo risco, e os médicos de lá confirmaram que minha filha estava tentando nascer, mas eu não conseguia fazer força", disse ela. O tumor da bebê havia crescido de tal forma que passar por um parto normal poderia causar danos severos à mãe.
Diante do agravamento do caso, TiLiyah foi transferida para um segundo hospital, na cidade de Augusta. A mãe recebeu anestesia e pôde dar à luz, com segurança, apenas por meio de uma cesariana.
"Não pude vê-la nem segurá-la depois que nasceu. Tive que esperar até o dia seguinte para ir à UTI neonatal, e me lembro de ter ficado muito magoada", disse.
Quando TiLiyah e o pai de Tyra finalmente conheceram a filha pela primeira vez, a reação foi de choque. "Ficamos ali parados. Acho que ele ficou tão chocado quanto eu, ao vê-la deitada de lado com um tumor tão grande debaixo do pescoço", contou a mãe.
Os médicos conseguiram remover o tumor, mas Tyra ainda não estava fora de perigo. Com a retirada do tumor, as vias respiratórias ficaram flácidas e Tyra precisou passar por dois procedimentos: uma traqueostomia e um segundo para colocação de um tubo de alimentação para ajudá-la a se alimentar.
Com 2 anos, Tyra passou por procedimentos complexos. "Muitas vezes, ela precisava ser anestesiada para que os médicos pudessem inserir uma câmera na traqueia para ver como estava tudo e examinar os pulmões", lembrou.
Apesar disso, a família de Tyra recebeu a boa notícia de que o tumor não era cancerígeno. Como mãe de primeira viagem, TiLiyah contou que a experiência foi ainda mais desafiadora.
"Ela passou por tanta coisa. Ver meu bebê me deu forças para continuar. Eu acordava todos os dias e caminhava até a UTI Neonatal, mesmo estando em uma cidade completamente diferente, sem carro, quase sem comer e ainda nem recuperada da cesárea, só para ver meu bebê. Nunca vou me arrepender de um segundo sequer", ressaltou a mãe.
No momento, Tyra tem progredido. Tanto o tubo de traqueostomia quanto o de alimentação já foram retirados. Em janeiro, a menina também passou por uma cirurgia para fechar a pequena abertura no pescoço e está começando a aprender a falar.
"Ela está ótima agora, ainda tem algumas consultas de acompanhamento e sessões de fonoaudiologia, e o buraco no pescoço dela ainda está aberto, embora seja pequeno e fechará em breve. Minha vida mudou muito. Nunca passei por tantas emoções em tão pouco tempo", afirmou a mãe.
A decisão de compartilhar a história da filha veio do entendimento dos pais de que a trajetória de Tyra pode simbolizar esperança para aqueles que passam por momentos difíceis. O sonho agora é ver Tyra feliz e saudável.
"Espero me tornar enfermeira de UTI neonatal um dia. Estar lá com minha filha realmente me inspirou a trabalhar nessa área", disse TiLiyah.
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