Mãe 'invade' rede social do filho, critica postagem machista e viraliza na web: 'Não foi a educação que eu dei'

Publicado em 27/03/2026, às 15h42
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Redação

A mãe de um adolescente de 15 anos viralizou nas redes sociais após "invadir" a conta do filho no TikTok e questionar uma postagem machista feita por ele. A manicure, de 34 anos, estava em casa no Rio de Janeiro quando recebeu mensagens privadas da cunhada com o alerta de que o rapaz usava um perfil paralelo na plataforma, para além da conta que era autorizado a utilizar — e na qual era monitorado pela família — para acompanhar online as novidades sobre jogos.

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"Mulher é igual roupa. Se não for a preferida, nós empresta pros amigos (sic)", dizia a postagem, na conta paralela.

Ao GLOBO, a manicure disse ter ficado surpresa e "furiosa" com a descoberta e com o teor machista da postagem. Ela decidiu responder "na mesma moeda": entrou no perfil paralelo do filho e gravou um vídeo em que questionava o discurso desrespeitoso contra as mulheres.

— Eu sou a mãe dele e eu estou aqui, agora, na rede social dele, para falar dessa frase linda que ele colocou aqui — ironizou. — Eu quero saber que mulher que ele tem, se ele nem se banca? Ele nem se sustenta. E outra: qual vai ser a mulher que vai se sujeitar a ficar com isso aqui? É meu filho, mas está errado. Se ele quer viralizar, pois agora ele vai viralizar.

E viralizou mesmo. A postagem de resposta da mãe superou as três milhões de visualizações na rede social. No vídeo, ela destaca que essa não é a educação que deu para o filho.

— Eu sou mulher e eu não dou essa educação para ele. Pelo contrário. Ele não tem esse tipo de educação em casa. Aqui, respeitamos as mulheres. Meu marido me sustenta. Ele vê como é o tratamento do meu marido comigo. Para ele ter esse tipo de atitude aqui? Não, não, não. Aqui é mãe raiz. O pau já comeu, e agora o otário vai ficar sem telefone — destacou.

A mãe disse ao GLOBO que deixou o filho sem acesso ao celular por tempo indeterminado. Ela conta ter "levantado igual leoa", à 1h da manhã, quando descobriu a postagem no perfil paralelo.

— Eu desabafei o que eu estava sentindo como mulher. Claro que depois, quando passou a raiva, eu sentei e conversei com ele. Perguntei: o que está passando pela sua cabeça? Você veio de uma mulher, tem avó, tias, primas. Ele disse que não queria ofender e que estava só 'criando conteúdo'. Mas ele ofendeu. Eu me senti ofendida. E não tem que ficar criando conteúdo para ofender ninguém. Tem homem que acha que nunca pode ceder, que precisa ser o 'macho alfa'. Isso não é ser homem.

O menino acabou pedindo desculpas para ela e para a tia, que também ficou triste pela situação. A mãe destaca que, em sua casa, nunca houve apoio a discursos machistas ou imposição de estereótipos de gênero. Fernanda conta que o filho sempre disse que gostaria de casar e constituir uma família e perguntou a ele se é com esse tipo de comportamento que pretende realizar o sonho.

— Foi a primeira vez que vi ele falar algo assim. É um menino bom. Ele carrega a minha bolsa, diz que já está treinando para quando tiver uma mulher. Mas é aquela fase da adolescência que está todo mundo indo e eles acham que têm que ir também. Falei para ele: você não é todo mundo — relata. — Na minha cabeça, a gente não deveria ter que ficar batendo nessa tecla do respeito pela mulher. É algo que deve vir de berço. Agora ele está de castigo. Se quiser falar com alguém, que mande uma carta.

Além do jovem que publicou o vídeo, a manicure é mãe de outro menino, de 5 anos. Ela conta que restringe totalmente o acesso do pequeno às telas. Deixa apenas que a criança assista a desenhos na TV fechada, e com limites de horários. A manicure concorda com as regras mais duras estabelecidas pelo Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), em vigor desde março, e explica que o suas medidas de controle fazem parte de uma criação baseada na proteção e no desenvolvimento saudável da prole.

— Hoje ele pode não entender, mas lá na frente vai. A sociedade é machista, tudo é mais difícil para a mulher. Quero que eles entendam que mulher não é objeto, que ela pode fazer o que quiser. Não é fácil ser firme. Às vezes parece que vim de outro mundo, que sou a chata. Prefiro ser a mãe chata, que está ali em cima, do que ser a mãe que vai viralizar porque o filho roubou, espancou, destratou mulher — ressalta.

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