Máfia das apostas no futebol ‘alugava’ contas para lucrar mais; entenda

Publicado em 12/06/2023, às 07h21
Reprodução O Globo -

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Para multiplicar sua margem de lucros, a máfia das apostas “alugava” contas de laranjas em sites esportivos. A artimanha foi revelada por duas testemunhas ao Ministério Público de Goiás (MP-GO) em depoimentos prestados no fim de abril. Nos relatos, Marcel Martins e Felipe Piovesan — ambos amigos de Bruno Lopez, o BL, apontado como chefe do esquema — admitiram que, em fevereiro deste ano, forneceram contas em seus nomes e nos de suas respectivas mulheres para apostas ilegais da quadrilha. Em troca, cada um receberia 10% dos lucros — o restante seria transferido para BL.

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O truque veio à tona durante o levantamento feito pelo GLOBO, com base na análise das quase 3 mil páginas do processo e dos vídeos de depoimentos da investigação, que identificou o envolvimento de 72 pessoas com a máfia das apostas. Martins e Piovesan jogaram com BL no time de futebol do São Bernardo. Os dois contaram que costumavam fazer apostas a partir de indicações do amigo. No entanto, em fevereiro passado, BL propôs uma combinação bastante inusitada: no jogo Goiás x Goiânia, pelo Campeonato Estadual, o Goiás deveria ganhar o 1º tempo; já a partida entre Luverdense e Operário, pelo Mato-grossense, deveria ter mais de cinco escanteios no 1º tempo e mais de dez ao final; e, em dois jogos do Campeonato Gaúcho, deveriam ser marcados pênaltis.

O MP-GO conseguiu provas de que BL aliciou e fez pagamentos a jogadores das equipes envolvidas para que as apostas dessem retorno. Seus amigos, no entanto, negaram saber do esquema.

“Ele (BL) passou os jogos e o que eu deveria fazer e eu fiz, na minha conta e em outra no nome da minha esposa. Ele disse que tinha informações privilegiadas, mas não sabia de todo o processo. Ele só dizia que tinha contatos e sabia o que aconteceria”, contou Martins.

A testemunha disse que apostou cerca de R$ 400 nas duas contas. Como tudo já estava acordado, o retorno foi de R$ 41 mil em cada . No entanto, quando a casa de apostas efetuou o pagamento, BL já havia sido preso na primeira fase da operação. O trato não foi cumprido.

“Na conta da minha esposa, não mexi, porque ela ficou sabendo do que aconteceu, do que estava por trás do dinheiro e não quis mexer. O que estava na outra conta, eu dei tudo para ele. Passei os R$ 41 mil. Ele disse que estava precisando”, contou Martins. A transferência foi feita depois que BL foi libertado. Ele voltaria a ser preso na segunda fase da operação, em maio.

Já Piovesan relatou que suas apostas foram anuladas porque o site detectou problemas de cadastro: ele colocou o mesmo número de celular nas duas contas. “Acabei não recebendo nada”, afirmou ele ao MP.

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