Maia: 'Bolsonaro deve enviar nova regra de ouro e reforma de servidores'

Publicado em 06/10/2019, às 22h55
Agência Brasil -

Ricardo Della Coletta/Folhapress

Após um café da manhã com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse que o governo deve encaminhar ao Congresso Nacional, nos próximos dias, propostas que tratam de mudanças na regra de ouro (que proíbe endividamento para pagar despesas correntes, como salários) e de uma reforma administrativa (para reduzir gastos com servidores).

LEIA TAMBÉM

A ideia, segundo Maia, é que a Câmara e o Senado dividam a apreciação das duas matérias: a reforma administrativa será analisada primeiro na Câmara e a da regra de ouro terá sua tramitação compartilhada entre deputados e senadores.

O texto a ser enviado da regra de ouro terá como base uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do deputado Pedro Paulo (DEM-RJ). A redação é de interesse do ministro Paulo Guedes (Economia).
O governo não consegue fechar os números dentro do exigido pela regra de ouro e só não é responsabilizado porque a lei permite o uso de crédito adicional do Congresso.

A norma é considerada inócua por técnicos do Ministério da Economia e do Congresso por só responsabilizar os agentes públicos sem prever reequilíbrio das contas.

A proposta prevê ações como o aumento de tributação sobre servidores e a redução de jornadas e salários no funcionalismo público. Nas contas do deputado, as ações como um todo poderiam gerar ao menos R$ 102 bilhões para a União em um ano.

Segundo disse Maia neste domingo, as modificações na regra de ouro são importantes para a garantia de "gatilhos e controle de despesas no curto prazo".

"Não adianta a gente pensar em avançar na eficiência do estado, com novos investimentos, se todo ano as despesas obrigatórias crescem R$ 30, R$40 ou R$50 bilhões. E a capacidade de investimento do estado vai ficando cada vez menor", justificou o presidente da Câmara. Ele deu as declarações ao final da convenção nacional do MDB, em Brasília.

A reforma administrativa, por sua vez, está em fase final de elaboração no Ministério da Economia.

Ela deve prever, entre outros itens, o fim da estabilidade para a maioria dos servidores públicos, uma drástica redução no número de carreiras, salários mais alinhados com o setor privado, rigorosa avaliação de desempenho e travas para as promoções.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Câmara aprova regime de urgência para projeto que cria o “imposto do congestionamento” Após denúncia de Rui Palmeira, Câmara de Maceió determina recadastramento de servidores Brasil repete sua segunda pior nota da série histórica em índice global de percepção da corrupção Entidades pedem veto de Lula ao PL dos supersalários na Câmara e no Senado